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Como investimentos em saneamento básico causam um ‘efeito dominó’ positivo na sociedade

Com o plano de garantir acesso amplo à água tratada e coleta de esgoto até 2033, desafio é aumentar as frentes de atuação

Cidades|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O acesso ao saneamento básico no Brasil ainda é um grande desafio, com muitos municípios investindo menos de R$ 100 por habitante ao ano.
  • Para garantir água tratada e coleta de esgoto até 2033, seria necessário um investimento mínimo de R$ 225 por habitante anualmente.
  • A falta de investimento em saneamento causa desigualdade nos serviços, com grandes diferenças entre municípios ricos e pobres em relação ao tratamento de esgoto.
  • Investimentos adequados em saneamento promovem um "efeito dominó", melhorando a saúde, produtividade e valorização imobiliária nas comunidades atendidas.

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O acesso ao saneamento básico continua como um desafio para o Brasil, com metade dos cem municípios populosos investindo menos de R$ 100 por habitante por ano. Os dados de 2024 do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico) mostram que 51 desses municípios investem menos do que esse valor necessário.

Ainda segundo o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico), seriam necessários ao menos R$ 225 ao ano por pessoa para que todas as cidades possam garantir acesso amplo à água tratada e coleta de esgoto até 2033. Atualmente, os piores municípios do ranking investem cerca de R$ 77 por habitante ao ano.


A imagem mostra uma viela com casas de alvenaria desgastadas e um trecho de esgoto a céu aberto atravessando o caminho, parcialmente coberto por estruturas improvisadas de madeira e concreto. O solo está rachado e irregular, com lixo acumulado próximo à água. Há um homem de camiseta cinza e bermuda preta ao fundo.
30 milhões de brasileiros ainda estão sem acesso à água potável e outros 90 milhões sem coleta de esgoto Reprodução/Record News

Em entrevista ao Hora News desta quarta-feira (18), Pedro Scazufca, pesquisador do Instituto Trata Brasil, destaca a dualidade vista nos números da coleta de esgoto. Ele pontua que, enquanto nos 20 municípios no topo da lista o nível é de 98%, os 20 piores têm apenas 28% desse tratamento.

Para Scazufca, esses números destacam a realidade do desafio de um setor que não foi priorizado por entes da esfera pública por anos. Porém, para atingir a meta de acesso pleno ao saneamento de qualidade até 2033, investimentos de longo prazo precisam ser feitos.


“Claro que a gente está falando em 2033, então você ainda tem 7 anos para alcançar essa meta, mas a gente tem que pensar que os investimentos em saneamento envolvem planejamento, envolvem ações de médio e longo prazo, então também não são investimentos que por vezes dão resultado tão rápido, você tem que planejar, muitas vezes estruturar um projeto, fazer um investimento, convencer a população a se conectar à rede, para aí começar a observar os resultados”, comenta.

Alguns desses projetos têm impulsionado essas obras, como as iniciativas após o marco do Saneamento em 2020, que determinou a meta para 2033. No entanto, o pesquisador alerta que, por cada município possuir necessidades diferentes, as frentes de atuação acabam por ser diferentes em cada um deles.


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Além dos 30 milhões de brasileiros que ainda estão sem acesso à água potável e outros 90 milhões com deficiências na coleta de esgoto, outro desafio é levantado e também precisa ser enfrentado: 41,5% da água produzida é desperdiçada.

Com um maior investimento em saneamento, Scazufca explica que há a ocorrência de um “efeito dominó”, que impacta positivamente em outros setores da sociedade, como a saúde das pessoas, além do aumento da produtividade e do desempenho escolar.


“Você tem evidência de que isso melhora o desempenho escolar, os trabalhadores faltam menos no trabalho, isso aumenta a produtividade, então você tem uma série de efeitos em cadeia. Os locais onde você leva saneamento, aquilo provoca uma valorização do local, uma valorização imobiliária, então aumenta a renda das pessoas, então você realmente tem uma série de benefícios associados a levar o saneamento para as pessoas”, finaliza.

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