Cidades CPI da boate Kiss encerra relatório com pedido de desculpas de Santa Maria ao mundo

CPI da boate Kiss encerra relatório com pedido de desculpas de Santa Maria ao mundo

Vereadores devem apresentar resumo dos trabalhos à mesa diretora nos próximos dias

CPI da boate Kiss encerra relatório com pedido de desculpas de Santa Maria ao mundo

Comissão foi criada no começo de março para "averiguar e apurar atos e fatos relacionados ao incêndio na boate Kiss"

Comissão foi criada no começo de março para "averiguar e apurar atos e fatos relacionados ao incêndio na boate Kiss"

Fábio Dutra/Correio do Povo

A CPI (comissão parlamentar de inquérito) instalada, no começo de março, na Câmara Municipal de Santa Maria, para "averiguar e apurar atos e fatos relacionados ao incêndio na boate Kiss" concluiu o relatório dos trabalhos nesta quarta-feira (3). O documento tem 90 páginas e deve ser apresentado à mesa diretora e ao plenário nos próximos dias. Os vereadores Maria de Lourdes Castro, Dr. Tavores e Sandra Rebelato, integrantes da comissão, fizeram um pedido de desculpas no documento, em nome da cidade. “De plano, Santa Maria pede desculpas ao mundo pelo fato”, diz o texto.

O relatório cita autores de livros jurídicos dizendo que a CPI não julga e não condena e que sua conclusão é política. Ao fim, os vereadores pedem que o documento seja encaminhado aos poderes Executivo Municipal, Estadual, Federal, ao Ministério de Justiça, à Assembleia Legislativa do RS, ao Congresso Nacional e outros órgãos, para tomarem as medidas que julguem necessárias.

De acordo com o documento, as 242 vítimas eram pessoas oriundas de ao menos 63 cidades do Rio Grande do Sul, além de seis jovens de outros Estados e um cidadão estrangeiro. Em quatro meses de trabalho, foram ouvidos secretários municipais, o comandante regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Rosa Pereira e outros funcionários públicos. Além do relatório divulgado, ainda os trabalhos da CPI estão distribuídos em 21 volumes, compostos por documentos, anexos, transcrições de depoimentos.

Suspeita

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A gravação de uma conversa durante uma reunião dos vereadores Lourdes de Castro e Dr. Tavores e de um assessor dele deixou familiares das vítimas em dúvida quanto ao rumo que a CPI tomaria.

Em boa parte da gravação eles demonstram receio com algumas atitudes da relatora, a vereadora Sandra Rebelato (PP). O assessor de Dr. Tavores fala sobre supostas orientações.

— Ela [Sandra] pediu que não poderia dar em nada [a CPI], porque chegaria não sei onde.

A vereadora Maria de Lourdes manifesta preocupação com as investigações chegarem ao nome do secretário municipal de Relações de Governo e Comunicação, Giovani Mânica.

— Vamos jogando, porque vai chegar no [Giovani] Mânica, e chegando no Mânica, vai chegar no prefeito [Cezar Schirmer].

Após a divulgação do áudio, parentes das vítimas ficaram revoltados e ocuparam o plenário da Câmara Municipal no dia 26 de junho. Eles permaneceram no local até o dia 1º.

A assessoria da Câmara disse que a conclusão do relatório não teve interferência com o protesto e que foi seguido um prazo para o término dos trabalhos. 

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