Crime organizado amplia infiltração na economia formal com redes financeiras sofisticadas, diz especialista
Empresas de fachada, lavagem de dinheiro e tecnologia fazem parte da estratégia das facções para ocultar recursos e expandir suas operações
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
O crime organizado tem adotado estruturas financeiras cada vez mais sofisticadas para sustentar suas operações. Segundo o especialista em segurança pública Leandro Piquet Carneiro, facções rivais têm recorrido aos mesmos prestadores de serviços financeiros, contábeis e logísticos, o que mostra uma transformação na dinâmica do crime organizado no Brasil.
“Existem contrabandistas, falsificadores, facilitadores de registros de empresas, contadores, pessoas que prestem serviços financeiros. São serviços que são prestados indiscriminadamente; não existe uma vinculação a uma ou outra facção. Simplesmente existem clientes que vêm do negócio de lícitos, ganham dinheiro e recorrem a esses prestadores de serviço em diversas áreas, e com isso cria-se uma rede entre organizações criminosas e a economia formal”, afirma.
Para Carneiro, o principal desafio das autoridades é compreender e investigar essa nova realidade, marcada pela infiltração do crime organizado em atividades produtivas e setores formais da economia. As investigações mostram que empresas de fachada e depósitos fracionados estão entre os principais mecanismos utilizados para ocultar a origem dos recursos ilícitos. De acordo com o especialista, essas práticas são favorecidas pelas fragilidades dos sistemas de registro empresarial e controle societário no país, dificultando a identificação dos verdadeiros responsáveis pelas empresas.
Veja Também
A estratégia envolve a abertura contínua de empresas que emitem notas fiscais fraudulentas e, após serem encerradas, são rapidamente substituídas por outras, garantindo a continuidade das operações e dificultando o rastreamento pelas autoridades. Nesse sentido, a inteligência financeira e tributária se torna uma ferramenta importante para identificar irregularidades e combater a lavagem de dinheiro.
A tecnologia também é influente nesse cenário. Ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de inovação, comunicação e desenvolvimento econômico, ela oferece ferramentas que podem ser exploradas por organizações criminosas. “Nós temos muitas dificuldades no plano doméstico, as instituições cooperam muito pouco, tem uma cultura de fragmentação, de defesa de espaços, é muito visível o quanto o Brasil está atrasado nesse aspecto”, ressalta o especialista sobre a velocidade com que os criminosos adotam novas tecnologias e a dificuldade das instituições em acompanhar essas transformações.
Recentemente designadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos, algumas facções brasileiras podem enfrentar uma pressão internacional maior. Na avaliação de Carneiro, a medida pode ampliar a cooperação entre países e fortalecer os mecanismos de investigação, principalmente no combate à lavagem de dinheiro e à ocultação de ativos.
No entanto, o especialista destaca que ainda existem desafios significativos na integração entre os órgãos brasileiros responsáveis pela segurança pública e pela fiscalização financeira. Segundo ele, a cooperação entre polícias, Ministério Público, Receita Federal, Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e secretarias de Fazenda ainda está abaixo do necessário para enfrentar organizações criminosas que atuam em diferentes estados e até fora do país.
Para mudar esse cenário, é preciso acelerar a integração nacional e ampliar o uso de dados tributários e financeiros nas investigações criminais, fortalecendo a produção de evidências e a capacidade de rastrear recursos ligados ao crime organizado.
Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!

















