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Fachin alerta para ação do crime organizado com bets ilegais e defende proteção a juízes

Ministro cobra uso de inteligência financeira contra lavagem de dinheiro em plataformas clandestinas e prega independência judicial

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro Edson Fachin alerta sobre a sofisticação do crime organizado no Brasil, destacando o uso de apostas eletrônicas clandestinas para lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.
  • Fachin defende a necessidade de ações coordenadas entre o Judiciário e órgãos como COAF, Receita Federal e polícias para combater o crime organizado.
  • O ministro destaca a importância da proteção física e institucional dos magistrados que enfrentam o crime organizado, ressaltando as ameaças como uma tentativa de intimidar a Justiça.
  • Foi lançada a Rede Nacional de Magistrados e Magistradas com Competência em Criminalidade Organizada para descentralizar soluções e padronizar procedimentos no país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Fachin também ressalta a capacidade de articulação do crime organizado: 'Crescente sofisticação' Ton Molina/STF - Arquivo

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Edson Fachin, traçou nesta terça-feira (14) um diagnóstico sobre a evolução das facções criminosas no Brasil e o Poder Judiciário.

O magistrado alertou que o crime organizado desafia permanentemente o Estado de Direito e as instituições democráticas. “Sua crescente sofisticação, a capacidade de articulação em âmbito nacional e internacional, o emprego intensivo de recursos tecnológicos e financeiros e a diversificação de suas atividades geram insegurança e exigem respostas coordenadas, inteligentes e integradas”, afirmou o ministro.


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A declaração ocorreu no lançamento da Rede Nacional de Magistrados e Magistradas com Competência em Criminalidade Organizada. Segundo Fachin, um exemplo dessa complexidade crescente é a relação entre o crime organizado e o mercado de apostas eletrônicas.

“As plataformas clandestinas são utilizadas como instrumento de organizações criminosas. Essas plataformas podem servir à lavagem de dinheiro, à formação de estruturas empresariais aparentemente lícitas, à integração com outras atividades ilícitas – tráfico, contrabando, corrupção –, além de apresentarem forte dimensão transnacional", frisou.


Sofisticação dos crimes

Fachin disse ainda que o crime organizado abandonou os moldes hierárquicos tradicionais e hoje se financia por meio de tecnologias sofisticadas, com destaque para o avanço do mercado de apostas eletrônicas clandestinas.

Para combater essa estrutura, o ministro cobrou o uso intensivo de inteligência financeira e a atuação coordenada do Judiciário com órgãos como o COAF, Receita Federal, Banco Central, Ministério Público e polícias.


Outro aspecto abordado por Fachin é a segurança física e institucional dos magistrados que atuam na linha de frente contra o crime organizado. O ministro enfatizou que os juízes que determinam o bloqueio de bens, apreensões e interrupção de fluxos financeiros tornam-se alvos preferenciais dessas organizações.

Fachin pontuou que as ameaças a magistrados têm um “efeito sistêmico”, pois o objetivo real dos criminosos não é atingir o indivíduo, mas sim constranger e intimidar o exercício livre da Justiça.


“Quando o medo interfere na liberdade de decidir, o alvo verdadeiro é a independência do Poder Judiciário e o próprio Estado de Direito Democrático”, alertou. Ele concluiu que a asfixia financeira do crime e a segurança dos juízes são duas faces da mesma política pública.

Atuação integrada

A Rede Nacional criada pelo CNJ funcionará como um canal permanente para descentralizar soluções e padronizar procedimentos em todo o país.

Ao encerrar, Fachin disse que “eficiência e garantismo não são valores antagônicos, mas complementares”, reafirmando que o combate firme ao crime não exige o atropelo das garantias constitucionais do processo legal.

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