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Desembargadora afastada há dois anos e ré por corrupção recebeu R$ 1,3 mi em salários

Fora do Tribunal de Justiça da Bahia desde 2024, magistrada é acusada por suposto envolvimento com venda de sentenças

Cidades|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago foi afastada do TJBA em abril de 2024, sob suspeita de corrupção.
  • Desde então, ela recebeu R$ 1,3 milhão em salários, enquanto é acusada de receber propinas e envolvimento em venda de sentenças.
  • A investigação da Operação Faroeste revelou um esquema relacionado à grilagem de terras e pagamentos ilícitos realizados por um operador identificado como Adailton Maturino.
  • Os advogados da desembargadora defendem sua inocência e afirmam que não há provas suficientes contra ela.

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Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago responde a processo no STJ por corrupção passiva TJBA/Reprodução – 01.02.2018

A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, do TJBA (Tribunal de Justiça da Bahia), ganhou R$ 1,3 milhão em salários desde o afastamento dela da Corte, por suspeita de venda de sentenças, em abril de 2024.

Alvo da Operação Faroeste e, atualmente, no banco dos réus após denúncia recebida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), a magistrada é acusada de receber propinas do esquema por meio de cheques, além de depósitos em dinheiro vivo, um relógio Rolex e até jantares em um restaurante japonês de Salvador, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).


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Em abril último, quando passou à condição de acusada, Maria do Socorro teve o maior contracheque desde o afastamento cautelar. A desembargadora recebeu R$ 104 mil líquidos. No acumulado de 2026, os pagamentos somam R$ 267 mil; e, em 2025, foram R$ 664 mil.

A reportagem pediu explicações ao tribunal baiano sobre os pagamentos, que registram uma média mensal de R$ 54,3 mil nos 24 meses de afastamento, mas não teve resposta.


Quando Maria do Socorro se tornou ré por corrupção passiva, a defesa, representada pelos advogados Bruno Espiñeira e Victor Quintiere, afirmou que não houve comprovação de prática criminosa e sustentou que a PGR apresentou fatos novos nas alegações finais que não constavam originalmente da denúncia.

“A defesa confia plenamente no julgamento a ser realizado pelo Poder Judiciário, acreditando na condução técnica, imparcial e fundamentada do feito, em estrita observância às garantias constitucionais do devido processo legal. A defesa reafirma a convicção na absoluta inocência da desembargadora, a qual, ao longo de toda a persecução penal, manteve conduta compatível com a legalidade, com a ética e com os deveres inerentes ao exercício da magistratura”, informaram os advogados.


Funcionamento do esquema

A Operação Faroeste é uma apuração da PF (Polícia Federal) sob a tutela do STJ — Corte que tem atribuição para processar desembargadores. A PF aponta que o operador Adailton Maturino, identificado como falso cônsul da Guiné-Bissau, e a esposa dele, a advogada Geciane Maturino, teriam atuado junto a Maria do Socorro.

A investigação é uma das maiores no país sobre corrupção no Judiciário. Deflagrada em 2019, a operação identificou um esquema de venda de sentenças ligado à grilagem de terras no oeste baiano e que envolve magistrados, advogados, empresários e lobistas.


Na fase inicial, seis magistrados, entre desembargadores e juízes, acabaram afastados dos cargos. A PGR detalhou que Maria do Socorro simulou empréstimos a parentes, no total de R$ 480 mil, para ocultar os supostos pagamentos de propina feitos por Adailton Maturino, com cheques de uma das empresas dele.

A acusação também afirma que a magistrada contou com o genro para pagar, em dinheiro vivo, uma parcela de R$ 275 mil na suposta compra de uma casa. O recurso também teria origem ilícita.

A investigação mostra, ainda, que Adailton Maturino comprou um relógio de R$ 120 mil para presentear a desembargadora. “O Rolex foi efetivamente encontrado com Maria do Socorro, que o usava em eventos do TJBA. O item foi apreendido na casa dela durante cumprimento de mandado de busca e apreensão”, destacou a PGR.

Nas alegações finais, a Procuradoria relatou que Adailton mantinha um acordo com um restaurante japonês de Salvador, para que desembargadores e juízes próximos ao suposto operador do esquema frequentassem o local e lançassem as despesas na conta dele.

Também segundo a investigação, a empresa de Adailton chegou a gastar R$ 1,5 milhão com essas despesas, e Maria do Socorro aparece entre os frequentadores listados.

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