Em noite de terror, dez pessoas são assassinadas em Belém (PA)
Crimes aconteceram após morte de PM; investigação não descarta relação entre os crimes
Cidades|André França, da Record Belém
A cúpula da segurança do Pará corrigiu na manhã desta quarta-feira (5) para nove o número de mortos após o assassinato de um policial militar. Durante a madrugada, o governo do Estado confirmava oito homicídios. O PM foi morto às 19h30 de terça-feira (4). Deste horário até a 1h50 desta madrugada, foram registrados os outros crimes.
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Em entrevista coletiva, o secretário de segurança pública, Luís Fernandes, o comandante-geral da PM (Polícia Militar), coronel Daniel Borges, e o delegado-geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino, disseram que seis das nove mortes têm características semelhantes de execução. Mas ainda não é possível afirmar que foram praticadas por policiais militares, mas há indícios que tenham relação direta com a morte do PM.
As vítimas foram mortas por pessoas de moto que usavam capacete nos bairros Jurunas e Terra Firme. As outras três mortes aconteceram em bairros mais afastados e com características diferentes. Os crimes aconteceram no bairro do Marco, Jardim Sideral e Tapanã. A polícia investiga se há relação com os outros homicídios. Além das nove mortes, outras três pessoas ficaram feridas e foram levadas a hospitais da região. Duas dessas vítimas já foram ouvidas pela polícia, mas o depoimento não foi divulgado para não atrapalhar as investigações.

O cabo Antônio Marcos Silva Figueiredo, de 43 anos, foi morto na noite de terça-feira (4), na rua Augusto Corrêa, no bairro Guamá, na periferia de Belém. Ele estava chegando em casa quando foi abordado por três homens. Os criminosos fugiram após o crime. O PM já era investigado pela Justiça comum por homicídio. O caso está em segredo de Justiça.
Após a morte do PM, ainda na noite de terça-feira, as supostas execuções foram denunciadas por internautas em redes sociais. De acordo com os relatos, a polícia "faria uma limpa e que as pessoas de bem não deveriam sair de casa".
Segundo a cúpula da segurança, chegaram informações de que mais de 30 pessoas teriam sido mortas nesta madrugada. Foram utilizadas fotos de outros homicídios e até da morte de pessoas no incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul. A tragédia deixou 242 mortos.
Por causa dos boatos, a polícia não sabia exatamente o que estava acontecendo e reforçou a segurança na cidade. Policiais de folga foram chamados e essa medida continua na capital paraense durante esta quarta-feira. A polícia está fazendo monitoramento das redes sociais para identificar os responsáveis pelos boatos.







