Entenda como investigação dos ‘Caça-comunistas’ se conecta com suspeita de venda de sentenças
Segundo fontes da investigação, a viúva de Zampieri demonstrava grande empenho em recuperar o celular do marido
Cidades|Rafaela Soares, do R7, e Natália Martins, da RECORD, em Brasília

O assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, foi o ponto de partida para revelar a existência de um suposto grupo de extermínio — denominado “Caça-comunistas” — que cobrava até R$ 250 mil para matar autoridades do Judiciário.
Ao recolherem o celular da vítima, o comportamento da viúva chamou a atenção dos investigadores. A partir disso, surgiram evidências de um possível esquema de venda de sentenças judiciais no TJMT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
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A investigação principal apontou que o advogado, de 57 anos, foi morto em razão de uma disputa milionária por terras no estado. Zampieri foi atingido por pelo menos dez disparos antes de conseguir sair do carro que dirigia. Equipes de emergência chegaram a prestar atendimento, mas ele não resistiu e morreu no local.
De acordo com a polícia, Zampieri representava a parte contrária ao suposto mandante do crime, Aníbal Manoel Laurindo, que foi preso na quinta-feira (28).
‘Caça-comunistas’
Com a identificação dos envolvidos no assassinato, a Polícia Federal e a Polícia Civil de Mato Grosso descobriram um grupo de extermínio e espionagem. Segundo os investigadores, a organização criminosa chamada “Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos” mantinha uma planilha com valores estipulados para espionar e assassinar autoridades.
A tabela apresentava valores que variavam conforme a função da vítima. Veja:
- “Figuras normais”: R$ 50 mil
- Deputados: R$ 100 mil
- Senadores: R$ 150 mil
- Ministros do Judiciário: R$ 250 mil
Ainda não está claro se essas autoridades chegaram de fato a ser monitoradas ou se a planilha representava apenas um planejamento de alvos. Documentos apreendidos mostram que havia planos detalhados, com locação de imóveis, uso de disfarces (como perucas e bigodes), e até a contratação de garotas e garotos de programa como iscas para atrair vítimas.
Equipamentos
Também há registros do uso de dois drones, o que reforça a hipótese de uma estrutura articulada e voltada à prática de ações clandestinas e violentas.
A lista de equipamentos reunida pelo grupo revela o grau de militarização e o potencial letal de suas ações. Entre os itens identificados estão:
- Cinco fuzis de sniper com silenciador
- 15 pistolas com silenciador
- Munições
- Lança-rojão tipo AT-34 de ombro
- Minas magnéticas e explosivos com detonação remota
- Dois fuzis lançadores de dardos (usados para captura de animais)
- Cinco veículos modelo Doblô, usados
- Cinco carros pequenos/médios, usados
- Placas frias
Venda de sentenças
A segunda parte da investigação teve início a partir da análise dos dados encontrados no celular de Zampieri. Segundo apuração feita pela reportagem, mensagens comprometedoras forma encontradas no aparelho da vítima. Em uma decisão posterior, o juiz do TJMT Wladymir Perri confiscou o conteúdo extraído do aparelho pela Polícia Civil e colocou todo o processo sob sigilo.
Temendo o descarte de provas, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) determinou que a polícia acompanhasse a extração das cópias do material apreendido, assegurando a preservação das evidências e o envio à Corregedoria. O órgão também determinou que nada fosse descartado.
Nessa quarta-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal) também autorizou o cumprimento de três mandados de busca e apreensão no estado, além da ordem de afastamento das funções públicas de um magistrado, e a proibição de que ele deixe o país, com o recolhimento do passaporte.
Investigação migra para Brasília
Com o avanço das investigações, o lobista Andreson de Oliveira — sócio e parceiro de Zampieri em negociações judiciais — foi alvo de operações da PF em seus dois endereços, em Cuiabá e em Brasília.
O escândalo de venda de sentenças passou, então, a ganhar contornos nacionais, chegando à capital federal e envolvendo cortes superiores. A investigação já levou ao afastamento de assessores de ministros e à prisão de um lobista.
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