Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Goiano de 9 anos supera 11 mil estudantes e conquista ouro em olimpíada de matemática nos EUA

Pedro Farias teve o melhor desempenho da delegação brasileira e ganhou óculos de realidade virtual como prêmio

Cidades|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pedro Farias, de 9 anos, conquistou medalha de ouro em olimpíada internacional de matemática na Columbia University, em Nova York.
  • O garoto foi o segundo melhor colocado em sua categoria e recebeu óculos de realidade virtual como prêmio especial.
  • Pedro já acumula mais de 70 medalhas em olimpíadas do conhecimento e participou de competições nacionais e internacionais.
  • Além da matemática, Pedro demonstra interesse por ciências e participa de projetos escolares que estimulam suas habilidades.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pedro Farias ganhou medalha de ouro em olimpíada de matemática nos EUA
Pedro Farias (com a bandeira do Brasil) ficou entre os 10% melhores competidores Arquivo pessoal

Com apenas 9 anos, o estudante goiano Pedro Farias atingiu um feito surpreendente: sagrou-se entre os 10% melhores competidores e conquistou uma medalha de ouro em uma olimpíada internacional de matemática disputada na Columbia University, em Nova York. Com a segunda nota mais alta da categoria, ganhou um par de óculos de realidade virtual como prêmio especial da organização e alcançou o melhor desempenho entre todos os membros da delegação brasileira.

A prova aconteceu em 29 de julho, no campus da instituição, e marcou a etapa final da Copernicus Mathematics Olympiad. Na ocasião, 250 estudantes de 15 países disputaram a premiação, em cinco categorias. Para chegar lá, todos já haviam passado previamente por uma espécie de “peneira”: apenas os de melhor desempenho na etapa anterior, que contou com 11.485 crianças e adolescentes de 54 países, foram convidados para a avaliação em Nova York.


Os participantes tiveram 90 minutos para responder a 20 questões de diferentes níveis de dificuldade e pontuação, sendo 15 de múltipla escolha e cinco abertas. No caso das objetivas, erros geravam penalização. Entre os conteúdos cobrados na categoria disputada por Pedro, estavam Diagrama de Venn, expressões matemáticas com frações, números primos, fatores e múltiplos, lógica matemática, problemas de palavras e reconhecimento de padrões em sequências.

Leia Mais

Conforme a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), algumas das habilidades exigidas são efetivamente exploradas apenas nos anos finais do ensino fundamental. No entanto, Pedro passou por aceleração escolar e cursa atualmente o 5º ano. Para se preparar, o garoto contou com algumas aulas na escola, no período do contraturno, e com a ajuda da mãe, a jornalista Raquel Morais, durante as férias.


Pedro Farias ganhou medalha de ouro em olimpíada de matemática nos EUA
Detalhe da medalha vencida por Pedro Farias Arquivo pessoal

“Foi um processo muito tranquilo, na verdade, porque ele já tinha uma espécie de ‘intuição’ para quase todos os temas. Pedro sempre teve muita facilidade com matemática, desde pequeno. Ainda na educação infantil, sabia calcular as quatro operações de cabeça. Com 5 anos, por exemplo, ele me surpreendeu tecendo toda uma análise sobre haver números que eram ‘dívidas’, que vinham antes do zero. Também nessa época, já tinha noções de porcentagem”, afirma.

O garoto já soma mais de 70 medalhas em olimpíadas do conhecimento nacionais e internacionais, assim como uma aprovação em biologia no vestibular de uma instituição privada de Goiás. Mesmo com esse histórico, Raquel conta que o resultado de Pedro, que acertou 18 questões, a surpreendeu. Na madrugada da prova, o garoto teve uma crise de rinite e acabou precisando de medicação. Assim, segundo a mãe, ele não dormiu direito.


Junto a isso, ao longo do caminho para o campus da Columbia University, ele demonstrou ansiedade e preocupação com a possibilidade de “errar tudo”. “Repeti para ele o que já vínhamos dizendo há algum tempo: estar lá já era grandioso. Todos os participantes eram muito habilidosos, e, se ele estava lá, ele era um deles. A gente já estava muito feliz e já sentia um orgulho tremendo dele, afinal, ele só tem 9 anos e estava fazendo uma prova em Columbia. Isso já era suficientemente incrível. Não havia obrigação nenhuma de resultado”, diz a mãe.

Quando os estudantes começaram a ser liberados, Raquel conta que ficou receosa. “As crianças chegavam um pouco desanimadas, contando que foi difícil, que o tempo não foi suficiente, que responderam só a uma parte da prova. Fiquei imaginando como ele estaria; eu não queria que houvesse sofrimento, né? Mas o Pedro saiu supertranquilo, animado. Disse que a prova estava fácil, que tinha feito tudo, mas que tinha uma questão com problema, o que, de fato, foi reconhecido pela organização depois. Depois, já mudou de assunto e contou empolgado que fez amizade com um garoto do Cazaquistão, duas categorias mais velho, que estava sentado ao lado dele”.


Premiação

De acordo com a Mathletes, empresa que representa a organização da Copernicus no Brasil, a premiação observa os seguintes critérios: 10% dos melhores participantes recebem a medalha de ouro, os 20% seguintes, a de prata, e os 30%, as de bronze. No total, 48 crianças de diversos países competiram na categoria de Pedro.

O regulamento trazia que os três melhores colocados de cada grupo seriam presenteados com prêmios do mundo tech. Segundo colocado entre os medalhistas de ouro, Pedro ganhou um par de óculos de realidade virtual. Além dele, mais uma brasileira foi ouro, mas em outra categoria: a estudante Manuela Bentes Amorim Luzia, de 12 anos, de Barcarena (PA). A delegação brasileira era formada por 32 crianças e adolescentes.

Diretora pedagógica da Mathletes, Marina Bronzeri afirma que participar de olimpíadas acadêmicas desde cedo traz ganhos muito concretos, pois amplia o raciocínio lógico, melhora a capacidade de resolver problemas, fortalece a disciplina de estudo e ensina o aluno a lidar com desafios.

“Os estudantes convivem com jovens de diferentes países, descobrem novas possibilidades acadêmicas e começam a construir um histórico que, no futuro, pode contribuir em processos seletivos e oportunidades de bolsas. A conquista do Pedro na Copernicus representa não apenas uma medalha, mas uma etapa importante de uma trajetória que está sendo construída desde muito cedo”, diz Marina.

Pedro Farias ganhou medalha de ouro em olimpíada de matemática nos EUA
Pedro Farias disputou prova final contra estudantes de 15 países Arquivo pessoal

Enriquecimento curricular e paixão por ciências

Descrito como gentil, educado, questionador, curioso, divertido, diplomático e inteligente por familiares e amigos, Pedro sempre manifestou interesse especial por ciências e diz que quer ser cientista quando for adulto.

Uma das paredes do quarto do menino tem desenhos, feitos por ele, de Albert Einstein, Stephen Hawking, Isaac Newton e Carl Sagan. Seu último aniversário, no início do ano, teve como tema “Carnaval dos cientistas”.

“O Pedro não é uma criança estudiosa, não é mesmo o perfil dele. O que ele gosta é de jogar bola, desenhar, jogar videogame, ver TV, jogar xadrez, jogar jogos de tabuleiro. Porém, ele é um menino curioso. Nada passa batido por ele, tudo é interessante. Ao mesmo tempo em que gosta de matemática, ama biologia, física, química, história, leitura e produção de texto. Então, temos um combinado: toda vez que ele tem uma curiosidade, nada de tecnologia, apenas livros. Se ele não encontrar nenhum livro em casa sobre o assunto, ele me avisa e eu compro”, explica Raquel.

A mãe conta que as olimpíadas de conhecimento entraram na vida de Pedro como uma estratégia de enriquecimento curricular. Mesmo depois do processo de aceleração de série, o garoto continuava demonstrando habilidades à frente das que seriam desenvolvidas na série. As provas, então, surgiram como uma forma de estimulá-lo.

Entre as conquistas, há o ouro na Olimpíada Canguru de Matemática, a prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, a prata na rodada preliminar da Singapore Math Challenge, o bronze na rodada preliminar da Copernicus Science Olympiad e o bronze na Singapore and Asian Schools Math Olympiad.

De acordo com a mãe, essa foi a primeira vez que o menino participou de uma rodada presencial em outro país. “Quando vimos que a prova seria realizada na Columbia University, ficamos muito mexidos, porque, há um ano, ele começou a falar que gostaria de estudar lá. Do nada. Nem sabia que ele sabia sobre isso. Falei outros nomes de universidades renomadas, mas ele disse que gostava da Columbia mesmo”, diz.

Projetos na escola

Na escola, Pedro participa do Projeto de Altas Habilidades, no qual já teve a oportunidade de construir pontes com palitos de picolé, visitar o laboratório de anatomia de uma faculdade de medicina, suturar uma língua de boi e, atualmente, construir um carrinho de Fórmula 1. Responsável pelas atividades, a professora Aline Sabina Martins Zardini explica que o trabalho parte do reconhecimento dos interesses de cada estudante.

Em junho de 2026, Pedro recebeu o certificado de Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa de Goiás em reconhecimento ao seu alto rendimento em olimpíadas científicas, junto a outras crianças e adolescentes do estado. Ainda, em outubro de 2025, foi um dos homenageados pela Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal.

Ele ainda integra o Programa Jovens Brilhantes, da Mensa Brasil, e é embaixador olímpico do Clube Amplexo Educação, que promove enriquecimento curricular online. A instituição foi reconhecida internacionalmente por educar com propósito na categoria “Edu for good” do Prêmio Brands For Good Awards 2026.

Diretora da Amplexo, Clarissa Vergara afirma que o desempenho do garoto na Copernicus Mathematics Olympiad é bastante significativo. “Esse resultado é muito importante, porque mostra que nós temos talentos incríveis aqui no Brasil e, principalmente, o quanto é importante nós torcermos, nós incentivarmos e, de fato, ajudarmos todas as crianças a participarem dessas competições”.

Por fim, Pedro é um cientista cidadão, em função das participações no Caça Asteroides, um programa em parceria entre o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) e o International Astronomical Search Collaboration (IASC/NASA Partner), e foi anunciado, no início de agosto de 2026, como embaixador mirim do Prêmio Pop Ciência de 2026, também desenvolvido pelo MCTI. A iniciativa visa à popularização da ciência.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.