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Há meses no Brasil, imigrante bengali ainda “estranha” diferença cultural

Se relacionar com várias mulheres até o casamento é incomum para Akram Hossain Abed

Cidades|Eduardo Marini, especial para o R7

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Alamgir Dewan Akash (à direita, de vermelho) e o amigo Akram Hossain Abed
Alamgir Dewan Akash (à direita, de vermelho) e o amigo Akram Hossain Abed

Akram Hossain Abed, de 23 anos, é um dos integrantes de uma das maiores colônias bengalis do País, que fica na cidade de Marechal Cândido Rondon, no extremo oeste do Estado do Paraná. Ele foi recebido pelo amigo Alamgir Dewan Akash, que chegara ao Brasil meses antes, em dezembro de 2012.

Nascido na capital de seu país, Daca, Abed é funcionário da Cooperativa Agroindustrial Copagril, produtora de aves e ração. Assim como o amigo Akash, ele reclama da falta de mesquita na cidade para exercer sua crença. E estranha dados corriqueiros da cultura brasileira e ocidental, como namorar uma mulher, terminar com ela e se relacionar com outras até se casar com alguém. Ou então a mulher se casar pela segunda vez após se separar ou ficar viúva.


— Lá no meu país, normalmente, se você namora uma mulher, deve se casar com ela. E se morrer, ela praticamente nunca se une a outro.

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E justifica o costume com um primor de pureza ligada às suas convicções, reforçada em seu lirismo pela dificuldade no trato com o português.


— É porque mulher já deu muito amor para primeiro marido, primeiro companheiro, me entende? Então não tem mais amor para outro.

Questionado se a união de um homem com mais de uma mulher é bem vista em Bangladesh, manda nova pérola de objetividade.


— Se primeira mulher deixar, pode. Se não deixar, não pode.

As dificuldades financeiras e estruturais estão evidentemente presentes e misturadas às carências associadas à “invasão” bengali.

Mas, quando quase 2.000 nascidos naquele país tentam provar aos brasileiros sua condição de perseguido em apenas 11 meses, é sinal claro de que o problema deles, ao contrário do da maioria dos imigrantes sul-americanos ou mesmo haitianos, é bem maior do que meramente arrumar uma solução econômica para viabilizar as necessidades básicas da vida.

Do final de 2013 até janeiro de 2014, quando houve uma das mais violentas eleições da história de Bangladesh, mais de cem pessoas foram assassinadas por disputas políticas.

Por aqui, a maior parte dos bengalis vítimas dessa disputa está com processo aberto no Conare (Comitê Nacional para Refugiados).

Que sejam analisados com rapidez e justiça.

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