'Loba do Tinder' é presa suspeita de usar apps para aplicar golpe
Jovem, de 29 anos, foi processada pelo crime de denunciação caluniosa e condenada a uma pena de três anos e seis meses de reclusão
Cidades|Do R7
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nesta segunda-feira (5) uma mulher suspeita de aplicar golpes em homens que conhecia por meio de aplicativos de relacionamento. A jovem, de 29 anos, chamada de "loba do Tinder", é investigada desde maio do ano passado e foi indiciada pelos crimes de difamação, estelionato e extorsão.
Segundo o delegado João de Ataliba Nogueira, da 1ª Delegacia de Polícia de Brasília (Asa Sul), a investigação começou após a denúncia de uma das vítimas. O homem — um servidor público federal — afirmou que estava no fim de seu casamento e começou a sair com ela depois de conhecê-la no Tinder.
A jovem se apresentava como empresária do ramo de cosméticos e dizia que seu dinheiro estava todo aplicado e, por isso, precisava de ajuda para o pagamento de contas e despesas diárias. O servidor, então, passou a realizar transferências e depósitos bancários para a conta de um terceiro, que, segundo as investigações, era outra vítima da suspeita.
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"Ela usava toda essa teia de crimes para não deixar rastros, não usava sua própria conta bancária", disse o delegado, em entrevista coletiva.
De acordo com a polícia, o servidor teve prejuízo de R$ 50 mil durante seis meses com os golpes aplicados pela "loba do Tinder". Quando a vítima tentou encerrar o relacionamento, a jovem passou a extorqui-lo e ameaçou divulgar o caso entre os dois nas redes sociais, entrar em contato com a família do homem e ir até o seu trabalho para difamá-lo.
Ao apreender o celular da suspeita, os policiais encontraram conversas que indicavam que outras pessoas foram vítimas do golpe aplicado por ela.
"Vários homens, estamos tentando quantificar quantas vítimas foram e qual foi o prejuízo estimado, quantos crimes de extorsão, quantos de ameaça, quantos de estelionato", declarou Nogueira.
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Golpe
O delegado explicou que a suspeita agia de três modos para aplicar os golpes. "O primeiro era quando ela não tinha um relacionamento sexual com a vítima que conhecia através de aplicativos. Ela dizia que um parente tinha morrido, falava que o dinheiro estava aplicado, e pedia um empréstimo para ir ao enterro", afirmou Nogueira. "Ela matou a vó umas quatro vezes; a mãe, umas cinco."
Depois de se aproximar das vítimas — homens casados principalmente — , a jovem dizia que era empresária e que seu dinheiro estava aplicado.
Por fim, ao descobrir que o homem era casado, ela exigia dinheiro para não denunciar a relação extraconjugal.
Os investigadores descobriram que algumas mulheres também foram vítimas, incluindo uma DJ do Distrito Federal. Foragida desde maio, a jovem aplicou golpes em outras regiões do País. "Ela tentou extorquir dois empresários no interior de São Paulo, um homem e uma mulher", disse Nogueira.
Falsa comunicação de crime
A Polícia Civil informou que a jovem registrou um boletim de ocorrência por violência doméstica na Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) contra o servidor que a denunciou. Além disso, fez uma representação no Ministério Público contra o delegado Nogueira por abuso de autoridade em relação a um mandado de condução coercitiva contra ela.
Conforme o policial, as ações foram uma retaliação à apreensão de seu celular. O Ministério Público concluiu que a jovem havia mentido sobre a forma como foi conduzida à delegacia. Já a Deam arquivou a ocorrência por não constatar violência doméstica.
A suspeita foi processada pelo crime de denunciação caluniosa e condenada a uma pena de três anos e seis meses de reclusão.
A reportagem não conseguiu até o início da noite desta terça-feira (6), contato com a defesa da suspeita.










