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MapBiomas: quanto menor a vegetação nativa presente, mais exposto país estará ao El Niño

Estudo divulgado nesta quarta-feira pelo instituto mostra que flora original do país está reduzida a cerca de 65% do território brasileiro

Cidades|Da Agência Brasil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A vegetação nativa do Brasil foi reduzida de 79% para 65% entre 1985 e 2025, com as florestas sendo as mais impactadas.
  • O fenômeno El Niño afetou severamente biomas brasileiros, como a Amazônia e o Pantanal, causando déficits de chuva e extremos climáticos.
  • A agropecuária expandiu significativamente, ocupando 32% do território brasileiro em 2025, com grandes perdas de vegetação nativa no Cerrado e na Amazônia.
  • Rondônia, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins foram os estados que mais perderam vegetação nativa, enquanto o Rio de Janeiro foi o único a recuperar parte de sua cobertura verde.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ecossistemas da Amazônia e do Cerrado foram os que mais perderam área em hectares entre todos Fernando Frazão/Agência Brasil – Arquivo

Em 41 anos, a vegetação nativa foi reduzida a 65% do território brasileiro, aponta a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12).

Ao longo dessas quatro décadas, áreas onde as florestas permaneceram foram menos afetadas pelo fenômeno El Niño — aquecimento da superfície equatorial do Oceano Pacífico que causa eventos climáticos extremos na América do Sul.


A nova coleção traz resultados do mapeamento do território nacional, de 1985 até 2025, a partir de 33 classes de cobertura da terra, como biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfície de água, por exemplo.

Nesta edição, os dados foram cruzados aos da plataforma MapBiomas Atmosfera, que monitora o clima e a qualidade do ar no país. Os pesquisadores observaram especialmente a ocorrência de extremos climáticos, como secas e temporais, no trimestre de setembro a novembro, durante os anos com El Niño — 1997/1998, 2015/2016, 2023/2024.


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Na análise, os pesquisadores puderam observar que, nesses anos em que o fenômeno foi mais intenso, a maior parte dos biomas brasileiros foi afetada por secas e ausência de chuva. As exceções foram nos biomas Pampa e em parte da Mata Atlântica, onde houve um aumento da precipitação.

Impacto por bioma

A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três El Niño, sendo que, no último, ocorrido em 2023/2024, os efeitos mais intensos registrados foram nas áreas de agropecuária.


Essas regiões, onde o ser humano deu outro tipo de uso à terra que antes abrigava floresta, sofreram uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.

O Pantanal foi drasticamente afetado pelo último El Niño ocorrido, o que levou o bioma a registrar o ano mais seco da série histórica em 2024.


No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a seca ficou mais intensa a cada novo fenômeno. As áreas de vegetação nativa foram as mais afetadas nesses biomas.

As áreas de agropecuária também foram as mais afetadas no Pampa pelos extremos climáticos ocorridos durante o El Niño. Mas, diferentemente da Amazônia, o bioma foi impactado pelo excesso de chuva, especialmente nos últimos dois fenômenos analisados.

Vegetação

Em 1985, a vegetação nativa do país ocupava 79% do território brasileiro e, em 2025, esse percentual caiu para 65%. Durante esses 41 anos, a formação florestal foi o tipo de vegetação que perdeu mais área pela ação humana.

Foram menos 65 milhões de ha (hectares), seguido da formação savânicas, com menos 46 milhões de ha, e dos campos alagados, que perderam 6,3 milhões de ha.

“Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período”, diz o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

Em todo o período estudado, 557 milhões de ha mapeados mantiveram a mesma classe de cobertura ou uso da terra. Desse total, a maioria, 335 milhões de ha, foram florestas mantidas em pé.

Atividades humanas

A agropecuária é a classe que mais ocupou área no país, sendo que, em 2025, já representava 32% do território do país, enquanto que, em 1985, estava presente em apenas 18% do Brasil.

A pastagem cresceu em 61,6 milhões de ha ao longo do período estudado, enquanto a agricultura cresceu sobre 48 milhões de ha.

Essas atividades ocuparam áreas antes de vegetações nativas dos seis biomas brasileiros de forma desigual. A Amazônia e o Cerrado foram os que mais perderam em tamanho de área.

Confira a quantidade de hectares perdidos por bioma:

  • Amazônia: 53,9 milhões de hectares
  • Cerrado: 51,7 milhões de ha
  • Caatinga: 10,1 milhões de ha
  • Mata Atlântica: 4,9 milhões de ha
  • Pampa: 4 milhões de ha
  • Pantanal: 1,9 milhão de ha

“A Mata Atlântica perdeu menos porque já tinha perdido anteriormente e também porque está em uma trajetória, nos últimos 20 anos, que estabilizou e, em alguns lugares, cresceu a área de vegetação nativa, especialmente florestas”, explica Tasso Azevedo.

proporcionalmente, Cerrado e o Pampa apresentam as maiores reduções com perdas de 34% e 32%, respectivamente.

Estados e DF

No recorte por estados, a nova coleção aponta que, entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa nos territórios. O Rio de Janeiro foi a exceção, após recuperar 1% da cobertura verde do território.

Nesses 41 anos, os estados que mais perderam vegetação nativa proporcionalmente aos territórios foram Rondônia, com redução da vegetação nativa de 92% para 59%, entre 1985 e 2025; Maranhão, que passou de 91% para 61%; Mato Grosso e Tocantins, ambos com redução de 90% para 61%.

Novidade

As marismas, áreas pantanosas sob influência de água salobra foram mapeadas pela primeira vez no estudo do MapBiomas, ainda em versão beta.

Em 2025, foram mapeados 6,9 mil ha de marismas, apenas no bioma Pampa.

As principais vegetações presentes nas marismas são herbáceas, formadas por gramíneas e juncos adaptados à água salgada, pois esses ecossistemas ocorrem nas margens dos estuários e recebem tanto água doce de rios ou lagunas quanto a água do mar.

As que entraram no estudo estão localizadas nas zonas estuarinas das lagoas Tramandaí-Armazém, Lagoa do Peixe, Laguna dos Patos e na foz do Arroio Chuí.

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