Especialista prevê que El Niño gere colapsos econômicos e sociais no Brasil; veja análise
‘Se tivermos colapsos dessa natureza, a gente vai ter muita dificuldade de continuar crescendo enquanto país’, afirma
Meio Ambiente|Do R7, com RECORD NEWS
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Julho de 2026 foi oficialmente o mês mais quente de todos nos mares. A temperatura média da superfície das águas chegou a 20,96 ºC, um recorde que superou o de 2023, quando o valor de 20,86 ºC foi registrado pelo Copernicus, serviço de alterações climáticas da União Europeia. Com o El Niño, a previsão é de piora para os próximos meses.
O fenômeno ocorre justo na área do Pacífico Tropical e aquece as águas locais e o mundo como um todo. Quem explicou sobre o assunto foi o professor titular do Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo), Alexander Turra, durante o Conexão Record News desta segunda-feira (11).

“O oceano é um grande regulador do clima, das coisas que acontecem tanto na atmosfera, quanto no mar e nos continentes. [...] Isso faz com que coisas que aconteçam no Pacífico [...] tenham efeitos aqui na América do Sul [...], especialmente na parte do oceano Atlântico”. Com as consequências de El Niño, o Brasil pode estar à beira de colapsos econômicos e sociais, na análise de Turra.
“A gente vai ter [...] uma intensificação das chuvas no Sul do Brasil e uma intensificação da seca no Norte e Nordeste, trazendo consequências das mais variadas para a agricultura, por exemplo, no Sul, e para a mobilidade das pessoas no Norte do Brasil, onde a gente tem hidrovias. [...] Se tivermos colapsos dessa natureza, a gente vai ter muita dificuldade de continuar crescendo enquanto país”, alegou o professor.
Por isso, ele dá ênfase a soluções que já podem ser aplicadas para garantir um futuro mais seguro. Dentre elas está a substituição de combustíveis fósseis por matrizes energéticas renováveis, que não geram compostos capazes de agravar o efeito estufa e a temperatura dos mares. Para isso, contudo, é necessário proteger os recursos disponíveis: “Proteger os nossos corpos hídricos pode ser uma saída muito inteligente para a gente poder lidar com situações de déficit hídrico, por exemplo”.
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