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Namorado se casa com sobrevivente da Kiss para ajudar em tratamento

Luciene Louzeiro ainda faz tratamento após inalar fumaça em incêndio

Cidades|Sylvia Albuquerque, Do R7

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Luciene e Eduardo se uniram para facilitar tratamento médico após incêndio
Luciene e Eduardo se uniram para facilitar tratamento médico após incêndio

A vendedora Luciene Louzeiro ainda faz tratamento médico para se recuperar da fumaça inalada durante o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro. Todo o processo de recuperação, após a tragédia, acabou por aproximá-la ainda mais do namorado. Os dois decidiram se casar.

Naquele dia, ela foi à casa noturna pela primeira vez para comemorar o aniversário de uma amiga. O namorado, Eduardo Eleutério, estava trabalhando e não foi ao show. Luciene conseguiu sair do local minutos depois do início das chamas, mas inalou bastante fumaça. Com complicações no pulmão, ela ainda não retornou ao trabalho e teve crises de hemorragia que lhe renderam uma forte anemia.

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Nascida em Belém (PA), ela mora em Santa Maria justamente por causa do namorado. Tudo começou no ano de 2008 quando passou a procurar o pai biológico com quem nunca teve contato. Luciene descobriu que ele era cantor e morreu em 2000 vítima de um infarto. Ela achou uma irmã em uma rede social que morava em Uberlândia (MG). A jovem mantinha informações sobre o pai na internet.

Conheça os sobreviventes da tragédia de Santa Maria

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Eduardo era fã dele e participava de uma comunidade em um dos sites. O rapaz guardava discos e materiais musicais sobre o cantor. Luciene se interessou em conhecê-lo para descobrir mais sobre o pai. Logo de início a paixão surgiu e os dois conversaram durante oito meses antes do primeiro encontro.

O namorado enviou dinheiro para a passagem aérea. Ela passou um mês em Santa Maria e depois voltou para Belém. A segunda viagem seria definitiva.

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— Toda a minha família não queria que eu saísse de Belém. Eles achavam arriscado eu ir para uma cidade sozinha e viver com um homem com quem não tinha intimidade. Mas eu o conhecia e sabia da índole dele. Foi a melhor coisa que fiz da minha vida.

Luciene morava sozinha em uma casa. Os dois tinham a intenção de casar, mas não tinham condições financeiras. Após a tragédia da Kiss, ele decidiu ir morar com ela para cuidar da namorada. Eles ainda não oficializaram a união porque desejam realizar uma grande festa.

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— Ele tem cuidado de mim e me mostrou o que é o amor. Eu agradeço a Deus por ter sobrevivido ao incêndio. Não é preciso uma tragédia para dizer eu te amo. Aprendi isso.

A vendedora, 34 anos, ainda deseja conhecer a irmã biológica que vive em Uberlândia. Ela define sua história como de alguém que já passou por muitas dificuldades, mas é feliz. Assim que conseguir guardar dinheiro pretende pousar em Minas Gerais e realizar mais um sonho.

Incêndio

O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro e 242 mortos.

O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu um artefato pirotécnico — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que ao ser lançado atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.

A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.

A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu liberdade aos quatro homens presos acusados de envolvimento no incêndio. Os sócios da casa noturna, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e os integrantes da banda Gurizada Fandagueira, Marcelo dos Santos e o produtor Luciano Bonilha Leão, deixaram o presídio no dia 29 de maio.

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