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Pedir comida por app toda semana é 2 vezes mais comum entre quem passa 8 horas sentado

Estudo da UFMG associa uso frequente de delivery a mais tempo sentado e menor atividade física

Cidades|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo da UFMG revela que 76,52% dos adultos avaliados usam aplicativos de entrega de alimentos, com 27,10% utilizando-os pelo menos uma vez por semana.
  • Usuários que passam 8 horas ou mais sentados diariamente têm o dobro da prevalência de uso regular de aplicativos de delivery.
  • Os pedidos mais comuns são refeições completas e lanches, enquanto frutas e saladas são raramente solicitadas.
  • O uso de aplicativos está associado a comportamentos sedentários, mas não se pode afirmar que um causa o outro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Delivery frequente aparece ligado ao sedentarismo Paulo Pinto/Agência Brasil- 14.04.2026

Pedir comida pelo celular faz parte da rotina de grande parte dos brasileiros. Um estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) aponta que 76,52% dos 839 adultos avaliados afirmaram utilizar serviços de delivery de alimentos.

Entre os participantes, 27,1% disseram acessar esses aplicativos ao menos uma vez por semana. Os pesquisadores classificaram esse grupo como usuários regulares. A frequência mais comum entre todos os participantes foi de duas a três vezes por mês, relatada por 29,08%.

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Entre os usuários regulares, o uso aparece associado a um conjunto de comportamentos ligados ao sedentarismo, como passar muitas horas sentado, permanecer diante de telas por longos períodos e dedicar pouco tempo às atividades domésticas.

Segundo a doutoranda em Nutrição e Saúde da UFMG e idealizadora da pesquisa, Paloma Aparecida Anastacio Barros, os aplicativos parecem estar inseridos em uma mudança mais ampla na rotina, marcada por jornadas de trabalho extensas e pouco tempo disponível para preparar refeições.

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“Essas plataformas parecem fazer parte da vida das pessoas”, explica a pesquisadora. Segundo ela, o crescimento do delivery está relacionado também à conveniência oferecida pelos aplicativos, que permitem escolher, pagar e receber uma refeição em casa sem a necessidade de deslocamento.

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A pesquisa analisou dados do projeto CUME+ (Coorte de Universidades Mineiras) e foi publicada na revista científica Journal of Food Sciences and Nutrition.

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Oito horas sentado

Um dos principais achados do estudo foi observado entre os participantes que permaneciam 8 horas ou mais sentados por dia. Esse grupo apresentou o dobro da prevalência de uso regular dos aplicativos em comparação com aqueles que ficavam sentados por até três horas diariamente.

Os usuários regulares também apresentaram maior tempo de exposição às telas, especialmente para o trabalho, menor dedicação às atividades domésticas e maior inatividade física.

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Os usuários mais frequentes tinham, em sua maioria, entre 30 e 39 anos. Cerca de 77% dos usuários trabalhavam em período integral, e 48,13% afirmaram dedicar de uma a duas horas por dia às atividades domésticas, enquanto 31,46% gastavam menos de uma hora.

Paloma ressalta, porém, que os resultados não permitem afirmar que o uso de aplicativos provoca sedentarismo — ou que o sedentarismo leva necessariamente ao uso de delivery. O estudo é transversal, ou seja, analisa comportamentos observados em determinado momento e identifica associações entre eles.

“Ele não é um estudo que está falando que o sedentarismo causa o maior uso de delivery, nem que usar mais delivery causa sedentarismo. Ele mostra que esses comportamentos aparecem associados”, explica.

O que vai para o carrinho

A pesquisa também investigou quais alimentos eram pedidos pelos usuários regulares. As refeições completas, como arroz, feijão, carne e massa, apareceram com maior frequência: 51,7% dos participantes disseram pedir esse tipo de comida em pelo menos metade dos pedidos.

Os lanches também tiveram presença significativa. Pizza, hambúrgueres e salgados eram pedidos em pelo menos metade das ocasiões por 39,7% dos usuários regulares.

Alimentos como frutas e saladas de frutas apareciam com pouca frequência. Segundo o levantamento, 92% dos participantes afirmaram raramente pedir frutas ou saladas de frutas por aplicativo.

A baixa frequência também foi observada para saladas, vegetais e preparações à base de alimentos frescos ou minimamente processados, que eram pouco solicitados por 67,8% dos entrevistados.

Entre as bebidas, as açucaradas eram pedidas em pelo menos metade das vezes por 12,7% dos participantes.

Para a pesquisadora, a composição dos pedidos merece atenção porque os alimentos mais frequentemente disponibilizados e destacados nas plataformas podem ser ricos em nutrientes críticos, como açúcar, gordura e sódio.

“Essas plataformas não são um ambiente neutro”, afirma Paloma. Segundo ela, ao acessar um aplicativo, o consumidor é exposto a estratégias de marketing como combos, descontos, promoções e ofertas de entrega, que podem aumentar a visibilidade de determinados produtos.

Conveniência como parte da rotina

A pesquisadora destaca que o fenômeno não deve ser analisado apenas pela perspectiva da escolha individual. Para ela, o crescimento dos aplicativos também está relacionado às transformações na rotina dos consumidores.

Com jornadas de trabalho mais longas e maior tempo gasto em atividades profissionais e diante das telas, o serviço de entrega aparece como uma alternativa para economizar tempo e esforço.

O estudo identificou ainda diferenças de acordo com a situação profissional. Trabalhadores em tempo integral apresentaram maior uso dos aplicativos, enquanto desempregados e trabalhadores informais relataram menor utilização. Os pesquisadores apontam que fatores como renda, disponibilidade de tempo e possibilidade de preparar refeições em casa podem influenciar esse comportamento.

Para Paloma, compreender esse novo ambiente alimentar é importante porque os aplicativos passaram a ocupar um espaço cada vez maior na relação dos consumidores com a comida.

“Compreender quem utiliza esses serviços, com que frequência e quais alimentos são adquiridos pode contribuir para identificar novas dimensões do ambiente alimentar e seus possíveis impactos sobre a saúde”, afirma.

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