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Pesquisa revela ‘associação importante’ entre uso de cocaína e mortes por homicídio

Estudo mostra presença de álcool e drogas ilícitas em mais da metade das vítimas de mortes violentas entre 2022 e 2024

Cidades|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo da USP revela presença de álcool e drogas em mais da metade das vítimas de mortes violentas entre 2022 e 2024.
  • Analisados 3.577 casos em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, destacando a predominância masculina entre as vítimas.
  • Associação entre cocaína e homicídios, álcool e acidentes de trânsito, e benzodiazepínicos com suicídios foi identificada.
  • Pesquisa destaca diferenças regionais no Brasil e sugere redução de danos como estratégia de combate ao uso de substâncias.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) revelou a presença de álcool e drogas em mais da metade das vítimas de mortes violentas, por meio de amostras coletadas entre 2022 e 2024. A pesquisa avaliou 3.577 casos em quatro capitais brasileiras: Belém (PA), Recife (PE), Vitória (ES) e Curitiba (SC). O objetivo foi produzir dados padronizados sobre essa relação entre substâncias psicoativas e mortes por causas externas no Brasil.

As análises incluíram álcool, drogas ilícitas e medicamentos psicoativos. 67% das mortes analisadas foram homicídios. Acidentes de trânsito representaram 15% dos casos e suicídios, 9%. O perfil das vítimas também revelou predominância masculina: 90% eram homens e 56% tinham 30 anos ou mais.


Mão com luva azul segurando três tubos plásticos de laboratório, cada um contendo uma pequena quantidade de pó branco
'Dados mostram associação importante entre uso de cocaína e mortes por homicídios', diz pesquisador Reprodução/Record News

Segundo os pesquisadores, as capitais foram escolhidas por culminarem em altos índices de violência e importância em rotas do tráfico internacional de drogas.

Em entrevista ao Link News desta quarta-feira (3), Henrique Silva Bombana, autor do estudo, biomédico toxicologista e pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, diz que o tipo de pesquisa realizada não delimita a relação causa-efeito e não consegue dizer que as pessoas morreram por terem consumido álcool ou outras substâncias.


“Mas os dados mostram uma associação importante entre uso de cocaína e mortes por homicídios, uso de álcool e mortes relacionadas no trânsito e, principalmente, uso de benzodiazepínicos, que são medicamentos hipnóticos, sedativos hipnóticos, com os casos de suicídio”, afirma.

Segundo o pesquisador, a predominância da cocaína nos resultados surpreendeu e foi puxada, principalmente, pelos casos de homicídio. Bombana explica que um dos principais objetivos do estudo foi identificar o predomínio de cada substância em determinadas regiões do país.


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“O Brasil é um país com dimensões continentais e, nas diferentes localidades, existem diferenças culturais, sociais, econômicas, sanitárias e de segurança também, que podem acarretar o uso dessas substâncias e as mortes em si”, ressalta.

O pesquisador aponta que a legislação brasileira é robusta em relação ao consumo de álcool por condutores de veículos, porém ainda falha em alguns pontos, como, por exemplo, a possibilidade de se recusar a realizar o teste do etilômetro.


Para Bombana, a melhor forma de combate às substâncias se inicia por meio da redução de danos, que, — pela primeira vez em 2026 —, foi introduzida em um novo plano de política sobre drogas.

“Eu vejo a questão das drogas muito ligada à redução de danos. As drogas estão na nossa sociedade há muito tempo e eu acho muito difícil elas saírem, então nós temos que reduzir esses danos, as pessoas têm que parar de morrer, as pessoas têm que parar de se lesionar, a criminalidade consequentemente vai diminuir dessa forma”, afirma.

Já sobre o resultado do estudo apresentar uma predominância de homens, o pesquisador esclarece que não foi uma surpresa: “Porque os homens, pelos relatos científicos, tendem realmente a utilizar mais substâncias e também a se envolver em ações de maior periculosidade, seja no trânsito ou em outros eventos, então essa grande porcentagem de homens por volta de 30, 40 anos não nos chamou atenção.”

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