PCC se tornou potência global no tráfico de cocaína, afirma jornal americano
Facção está se transformando rapidamente em uma das maiores organizações criminosas do mundo, diz The Wall Street Journal
Internacional|Do R7
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O PCC (Primeiro Comando da Capital) é hoje uma potência global que remodela o fluxo internacional de cocaína. A conclusão é do jornal americano The Wall Street Journal, que fez um extenso perfil do grupo criminoso brasileiro.
Segundo a publicação, a tentativa das autoridades brasileiras de desmantelar o grupo em seu início acabou sendo um dos maiores erros estratégicos da história da segurança na América Latina. Ao transferir os líderes do grupo para diferentes estados na tentativa de isolá-los, o governo apenas acelerou a expansão nacional do PCC, conclui o WSJ.
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O PCC nasceu em agosto de 1993, dentro do presídio de segurança máxima em Taubaté, em São Paulo, como um “pacto de lealdade entre 8 presos por melhores condições básicas de higiene e proteção contra abusos estatais”.
Hoje, a organização conta com cerca de 40 mil membros e uma vasta rede de afiliados, operando em quase 30 países e sendo considerada por promotores como a organização criminosa que mais cresce no mundo.
O PCC se diferencia de outros grupos criminosos, como os cartéis mexicanos ou as milícias colombianas, por manter um perfil “discreto e profissional” que busca o lucro em detrimento da fama. A estrutura do grupo é descrita pelo jornal como horizontal, funcionando menos como uma gangue tradicional e mais como uma “agência reguladora” ou uma multinacional com mentalidade de livre mercado, onde os membros têm autonomia para seus próprios negócios desde que respeitem o rigoroso código de conduta e a lealdade à organização.
A expansão para o norte do Brasil levou o grupo a dominar rotas na Amazônia, onde a facção exerce um “sistema de justiça paralelo” em vilarejos remotos. Para ganhar a confiança das comunidades e lavar o dinheiro do tráfico, o grupo adotou táticas como o “narcopentecostalismo”, infiltrando-se ou estabelecendo igrejas evangélicas, afirma o WSJ. Além da cocaína, o PCC diversificou suas atividades para a mineração ilegal de ouro, crimes cibernéticos e até o tráfico de aves exóticas.
O PCC também é responsável pela logística por trás do envio de toneladas de drogas do Porto de Santos para os principais terminais da Europa, como Antuérpia e Roterdã. Essa rede é fortalecida por parcerias internacionais, o que as autoridades chamam de “convergência criminosa”, envolvendo alianças com a máfia italiana ‘Ndrangheta, a Yakuza japonesa e gangues sérvias e albanesas.
No cenário atual, a facção apresenta um nível crescente de infiltração nas instituições do Estado e na economia formal, utilizando fintechs e financiando campanhas eleitorais para garantir contratos públicos de serviços como coleta de lixo e transporte.
Esse alcance transnacional e a sofisticação financeira levaram o Departamento do Tesouro dos EUA a impor sanções contra operadores do grupo, evidenciando que a facção, que nasceu em celas superlotadas, hoje representa um desafio de segurança de escala mundial.
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