Cidades Piloto de 'voo da morte' de Gegê fazia a rota Bolívia-Brasil

Piloto de 'voo da morte' de Gegê fazia a rota Bolívia-Brasil

Suspeito de ser também o dono da aeronave usada pelo PCC na morte de Gegê do Mangue já foi preso outras vezes por tráfico de drogas

  • Cidades | Karla Dunder, Márcio Neves e Plínio Aguiar, do R7

Helicóptero pertencente à Ramos que foi apreendido

Helicóptero pertencente à Ramos que foi apreendido

Reprodução

O dono do helicóptero usado pelo PCC, Felipe Ramos Morais, 31, é um velho conhecido da polícia. Já foi preso ao menos três vezes pilotando aeronaves usadas no transporte de drogas e, mais recentemente, teve um mandado de prisão temporário expedido pela Justiça Federal do Estado do Ceará por ter ligação com a morte de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue.

Segundo investigadores, Felipe é suspeito de ser o dono do helicóptero utilizado na morte de Gegê do Mangue na cidade de Aquiraz, no litoral do Ceará. O prefixo e o modelo da aeronave ainda não foi divulgado pela polícia para não atrapalhar as identificações.

Em 2013, Morais foi preso duas vezes transportando drogas. Na primeira, no mês de abril, ele estava no comando de um Robinson R44, de prefixo PR-HDA, na cidade de São Francisco do Sul, em São Paulo. A segunda, no mês de maio, no município de Curvelo, Minas Gerais, usando a mesma aeronave.

Em 2015, ele foi abordado em Sorocaba no comando de um Robinson R44 de prefixo PR-MOB, suspeito de transportar drogas para um sítio na região de São Roque. 

Felipe tirou sua primeira licença de piloto em 2009 e a última renovação foi em 2016 e ainda está válida, segundo a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). A órgão informou ainda que não consta nenhuma multa ou infrações em seu registro aeronáutico.

Além de piloto, Felipe também é dono da empresa aérea GF Helicópteros. Na Receita Federal o endereço da empresa consta na cidade de Goiânia (GO), mas no site da empresa, relacionado ao mesmo CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), a sede da GF Helicópteros aparece como a cidade de Guarujá, no litoral de SP, onde vivia Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Wagninho, e morto na noite desta quinta-feira (22) com tiros de fuzil na porta de um hotel na zona leste de SP.  Waguinho é considerado pela polícia como o líder do tráfico de drogas no Guarujá.

Atualmente, a empresa de Morais possui duas aeronaves com registro ativo na ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil): um avião de pequeno porte, um Beechcraft Bonanza A36, e um helicóptero, um Robinson R-44.  

Crime Internacional

De acordo com a Justiça Federal do Estado do Ceará, Felipe Morais também já foi condenado pela Divisão da 3° Turma pela prática de tráfico internacional de entorpecentes e de associação para o tráfico. O processo consta que os acusados, entre eles Morais, "adquiriram, receberam, transportaram, guardam e depositaram 174,80 kg de pasta-base de cocaína proveniente da Bolívia e que foi apreendida na zona rural em cidade do interior do Ceará".

A 3° Turma concluiu "que não resta dúvida que o réu desenvolveu a atividade principal de transporte de drogas em sua aeronave" e, sendo assim, enquadrado como "coautor do fato criminoso". A conduta dele é incompatível com sua alegação de inocência durante o processo, uma vez que teve "a oportunidade de interromper o voo durante as paradas de abastecimento".

Wagninho foi assassinado em frente a hotel em SP

Wagninho foi assassinado em frente a hotel em SP

Reprodução

Wagninho - "Cabelo Duro"

O processo envolve também Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Wagninho - ele é suspeito de ser o autor do homicídio de Gegê. Segundo investigadores, Wagninho seria um dos identificados como ocupante do helicóptero utilizado no momento da morte de Gegê e Paca, em Aquiraz, a 37 km de Fortaleza (CE).

As hipóteses apuradas para a morte de Wagninho, segundo o Ministério Público de São Paulo, seriam de “queima de arquivo” a mando da própria facção. Segundo as investigações, a facção entendia que Wagninho poderia ser preso e se tornar alvo de investigação.

Outra possibilidade é que ele tenha sido morto por comparsas de Gegê e Paca, uma vez que ele é apontado como um dos presentes no helicóptero em que ambos viajavam no dia em que foram mortos.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, Wagninho tem um mandado de prisão temporária por homicídio simples, expedido no dia 22/02/2018 - data de sua morte. Ele foi assassinado a tiros de fuzil em frente a um hotel na zona leste de São Paulo.

O processo é conduzido pela juiza Mônica Lima Chaves Coutinho, da 1°Vara da Comarca de Aquiraz (CE).

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