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Operação mira facção venezuelana suspeita de fornecer fuzis e metralhadoras para o CV

Organização Tren de Aragua é considerada uma das mais perigosas em atuação na América Latina

Cidades|Do R7, com RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Operação em seis estados brasileiros mira a facção criminosa venezuelana Tren de Aragua.
  • Foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão.
  • Tren de Aragua é suspeita de fornecer armas pesadas para o Comando Vermelho no Brasil.
  • A operação envolveu a Polícia Civil, Renorcrim e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca Polícia Civil de Roraima/Divulgação - 16.06.2026

Uma operação realizada nesta terça-feira em seis estados brasileiros mira a organização criminosa venezuelana Tren de Aragua.

A ação tem como objetivo desarticular os braços operacional e financeiro da facção, considerada uma das mais perigosas em atuação na América Latina.


Segundo a Polícia Civil de Roraima, a operação, nomeada Rota do Norte, foi realizada simultaneamente nos estados de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, onde foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão contra integrantes e associados da organização criminosa.

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A polícia afirma que o Tren de Aragua fornece armas de grosso calibre para facções de diversas regiões do Brasil, entre elas fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, equipamentos com grande poder de destruição.


De acordo com as investigações, o Tren de Aragua fornecia armas para membros da facção brasileira Comando Vermelho.

A polícia aponta que a facção tem no Brasil uma estrutura criminosa complexa, que é responsável por atividades relacionadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.


A operação Rota do Norte envolveu policiais civis e agentes da Renorcrim (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Líder do Tren de Aragua foi morto pelos EUA

Na última sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e apontado como principal líder do Tren de Aragua, após uma operação conjunta entre Estados Unidos e Venezuela.


Considerado um dos criminosos mais procurados da América Latina, ele era acusado de comandar a expansão internacional da facção venezuelana, que passou de um grupo formado dentro de uma prisão para uma rede criminosa com atuação em diversos países.

Trump afirmou que o Comando Sul americano realizou um ataque “rápido e letal” contra o líder criminoso.

O governo venezuelano também confirmou a operação, realizada no estado de Bolívar, e informou que Guerrero foi “neutralizado” durante confrontos.

O que é o Tren de Aragua

Com células criminosas espalhadas por grande parte da América Latina, o Tren de Aragua surgiu em 2014 dentro de um sindicato que controlava trechos de uma ferrovia em construção no estado de Aragua, na Venezuela.

Seus integrantes extorquiam empreiteiras, vendiam vagas em canteiros de obras e logo ficaram conhecidos como “os do Trem de Aragua”.

Os envolvidos foram enviados para a prisão de Tocorón, a sudoeste de Caracas, onde a facção consolidou seu poder. De dentro do presídio, sua influência se expandiu rapidamente, transformando o grupo na organização criminosa mais poderosa do país.

“O Tren de Aragua tem um amplo portfólio criminoso, e essa é uma de suas fortalezas”, analisa Luiz Izquiel, professor de criminologia da Universidade Central da Venezuela, em entrevista ao R7.

O advogado venezuelano explica que, além de controlar Tocorón, a facção domina minas de ouro ilegais na Bolívia e rotas do narcotráfico no estado de Sucre, ao norte da Venezuela, que servem como porta de entrada para o Caribe.

Questionado sobre como o Tren de Aragua estabeleceu células na Colômbia, Peru, Bolívia, Chile e Brasil, Izquiel explica que, ao chegar a esses países, a facção se dedica a uma série de atividades criminosas.

Além do tráfico de pessoas para prostituição e do tráfico de migrantes venezuelanos por meio de “trochas” — passagens ilegais —, o grupo se envolve em extorsão, roubo, sequestro e uma variedade de outros crimes.

Entretanto, não se sabe se muitas das células do Tren de Aragua que operam na América Latina estão diretamente conectadas à organização na Venezuela.

Durante muitos anos, a organização desfrutou de quase total impunidade em seu principal reduto, a prisão de Tocorón.

No presídio, que controlavam livremente, administravam diversos negócios internos, como a cobrança da “causa” (uma espécie de imposto criminoso que cada detento tinha que pagar apenas por estar lá, podendo chegar a US$ 20 mensais), além da venda de álcool e drogas, casas de apostas e prostituição. Dentro da prisão, havia até uma boate, piscina, zoológico e restaurantes.

“Essa situação durou até o final de 2023, quando as autoridades finalmente decidiram intervir na prisão e desmantelar o feudo criminoso do Tren de Aragua”, relata Izquiel.

“Ainda não está claro por que o Tren de Aragua gozou de tanta impunidade para estabelecer seu império criminoso, nem por que as autoridades decidiram intervir na prisão em 2023”.

Internacionalização da facção

A internacionalização do Tren de Aragua, segundo o criminologista, começou por volta de 2018, quando a facção expandiu sua atuação para além das fronteiras venezuelanas.

Inicialmente, estabeleceu células na Colômbia e, em seguida, se espalhou por outros países da América Latina.

Essa expansão também levou o grupo a interagir com outras facções poderosas da região, incluindo o crime organizado brasileiro.

A liderança do grupo se concentrava na figura de Niño Guerrero, conhecido por ser o “pran” (líder criminoso) de Tocorón desde 2012 até a intervenção na prisão em 2023.

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