Cidades Prefeitura e delegacia são alvos em 2ª madrugada de ataques no Ceará

Prefeitura e delegacia são alvos em 2ª madrugada de ataques no Ceará

Desde o início dos ataques, sete pessoas foram presas e quatro adolescente foram apreendidos em flagrante por suposto envolvimento nos crimes

Fortaleza registra mais ataques nesta sexta

Pilastra de viaduto foi danificada

Pilastra de viaduto foi danificada

Reprodução

Diversas cidades do Ceará registraram nesta sexta-feira (4) a segunda noite e madrugada de ataques. A delegacia da Polícia Civil e a Prefeitura de Maracanaú foram atacadas pelos suspeitos. Um deles foi morto e um policial foi baleado após troca de tiros na rodovia CE-010.

No fim da noite de ontem, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, negou o envio imediato de tropas federais para o Ceará, mas disse que a Força Nacional foi mobilizada "para se deslocar ao Estado em caso de deterioração da segurança".

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De acordo com a Polícia Militar, a troca de tiros entre os criminosos e policiais ocorreu na CE-010, na Grande Fortaleza. O grupo tentava destruir o fotossensor do radar de velocidade instalado na rodovia quando foi surpreendido pelos militares que patrulhavam a região. Um dos suspeitos foi atingido e morreu no local. Um PM foi baleado na perna e socorrido para o Instituto Doutor José Frota. O estado de saúde dele é desconhecido.

A Polícia Militar apreendeu um revólver calibre .38. Os demais criminosos fugiram do local.

Os suspeitos também tentaram incendiar o 8º Distrito Policial de Fortaleza, localizado no Bairro João XXIII. Dois homens chegaram em uma moto e jogaram um artefato com formato de dinamite. O material não explodiu. Houve troca de tiros entre os policiais e os criminosos, mas os homens conseguiram fugir.

A Prefeitura de Maracanaú também foi atacado pelo grupo durante a madrugada desta sexta. Uma das salas foi incendiada. A ação não resultou em vítimas e o fogo foi controlado.

Por volta de meia-noite, agentes também localizaram explosivos embaixo de um viaduto na rua Dr. Joaquim Bento, no bairro Curió. O material foi removido pela Polícia Militar, mas nenhum suspeito foi localizado.

Ao longo da noite e madrugada, os militares atenderam chamadas de ataques a tiros a agências bancárias e tentativas de incêndios por toda a capital.

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A onda de crime começou um dia depois de o titular da recém-criada Secretaria da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, dizer que não reconhecia facções no Estado e que não separaria mais os presos de acordo com a ligação com essas organizações. Os grupos criminosos são os principais suspeitos de serem os autores dos ataques.

Tropas federais

Em nota divulgada no fim da noite de quinta (3), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, negou o envio imediato de tropas federais para o Ceará, mas disse que a Força Nacional foi mobilizada 'para se deslocar ao Estado em caso de deterioração da segurança'. Mais cedo, o governador Camilo Santana (PT) pediu o envio do Exército para conter a onda de crimes.

Moro determinou que a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Penitenciário Nacional tomem providências para auxiliar o governo do Ceará no combate aos ataques por meio de investigação e repressão aos crimes registrados. O ministro incluiu na medida a oferta de vagas no sistema penitenciário federal.

Pelo menos 16 veículos foram incendiados desde o início do ataque, informou balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social cearense e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros.

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Prisões

Desde o início dos ataques na noite de quarta (2), sete pessoas foram presas e quatro adolescente foram apreendidos em flagrante por suposto envolvimento nos crimes. Outras sete pessoas foram ouvidas e liberadas pela Polícia Civil, mas seguem em investigação.

De acordo com balanço parcial divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Ceará, dois suspeitos foram detidos na tarde de quarta, durante diligências das polícias Civil e Militar. Uma mulher de 32 anos foi detida no Parque São José por portar uma garrafa com gasolina e outro homem, de 19 anos, foi preso por suspeita de participar da queima de um coletivo no início da tarde desta quinta.

Outras quatro pessoas, incluindo um menor de idade, foram detidas no Jardim Iracima com garrafas com gasolina. Todos foram ouvidos e liberados, mas a Polícia Civil continua a investigar suposta participação em outros crimes na capital.

Chacina em Fortaleza deixa ao menos 14 pessoas mortas

O Cotam (Comando Tático Motorizado) prendeu dois homens suspeitos de destruir um fotossensor no bairro Moura Brasil. Um deles estava com mandado de prisão em aberto por furto e o outro tinha passagens por roubo e lesão corporal. No bairro Conjunto Esperança, foram capturados outros dois suspeitos em veículo com placas clonadas. No porta-malas do veículos, os policiais apreenderam um galão vazio e uma caixa de fósforo.

No bairro Messejana, um trio foi detido pela equipe da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança pela tentativa de danificar um fotossensor na BR-116. Entre os suspeitos estava um adolescente de 14 anos. Com o grupo foram encontrados uma câmera roubada do equipamento atacado e uma marreta artesanal.