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Prisão em Goiás é controlada por detentos, dizem presos em relatório

Complexo foi palco de três rebeliões em menos de uma semana 

Cidades|Agência Brasil

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Detentos do regime semiaberto da Colônia Agroindustrial do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO) relataram que a unidade não é controlada por agentes penitenciários, mas por presos das alas B e C, que impõem o medo aos demais internos.

Os depoimentos constam do relatório produzido esta semana pelo TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás) por ordem da presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, após duas rebeliões ocorridas nos primeiros dias do ano deixarem ao menos nove mortos, dois dos quais decapitados.

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Segundo o documento, três dos seis detentos ouvidos no dia 3 de janeiro “confirmaram a tensão por causa da superpopulação, do problema de falta de água constante e da falta de energia. Reclamaram da demora na análise de processos e realização de audiência”.

De acordo com os presos, “os agentes não conseguem dominar a cadeia, que é dominada por presos das alas B e C”. Os detentos confirmaram disputas entre facções que dominam tais alas, mas não as nominaram. Eles foram ouvidos pelo presidente do TJ-GO, desembargador Gilberto Marques Filho.

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Presos fogem com medo de morrer

Um outro relatório, produzido pela Seap (Superintendência Executiva de Administração Penitenciária), informou que, no dia 1º de janeiro, “presos que estavam na alas A e B (supostamente comandada PCC [facção criminosa Primeiro Comando da Capital]), invadiram a ala D, enfermaria B (supostamente comandada pelo Comando Vermelho)”.

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O relatório enviado esta semana para a presidente do CNJ informa que 127 detentos da unidade prisional fugiram com medo de morrer, dos quais 105 continuam foragidos. A defensoria pública de Goiás solicitou que eles possam cumprir prisão domiciliar enquanto não se normaliza a situação.

Entre as providências listadas pelo desembargador Gilberto Marques Filho para sanar o estado de calamidade está a informatização de todos os processos da unidade prisional, de modo a agilizar a análise de casos em que os presos já poderiam estar soltos.

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Ministra irá a Goiás na segunda-feira

A ministra Cármen Lúcia deve visitar o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO) na segunda-feira. A ida ao local foi confirmada mesmo após a ocorrência de uma nova rebelião nesta sexta-feira, desta vez na unidade de regime fechado do complexo. A revolta foi controlada pelos agentes de segurança, que informaram não haver mortos.

A situação em Aparecida de Goiânia é conhecida ao menos desde 2015, quando um relatório da Corregedoria-Geral de Justiça do TJ-GO já havia relatado a precariedade da situação do sistema de cumprimento de pena no regime semiaberto, com o risco de novas rebeliões.

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