‘Tem total relação com os conflitos’, diz especialista sobre casos de antissemitismo no Brasil
Investigações sobre episódios recentes de discriminação contra judeus no Rio de Janeiro serão acompanhadas pelo Ministério Público
Rio de Janeiro|Do R7, com RECORD NEWS
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Três casos de antissemitismo que ocorreram no último fim de semana no Rio de Janeiro entraram na mira do Ministério Público. Em uma das ocorrências, um bar na região da Lapa exibiu uma placa dizendo que cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não eram bem-vindos. O Procon-RJ multou o local em mais de R$ 9.500 por violar o Código de Defesa do Consumidor.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta segunda-feira (6), Karina Calandrin, professora de relações internacionais, explica que o crescimento das tensões no Oriente Médio é uma das causas para o aumento de casos de intolerância contra judeus nos últimos anos no Brasil — em 2025 foram quase mil denúncias.

“O aumento do antissemitismo no mundo e no Brasil data exatamente do início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023, a partir do ataque de 7 de outubro feito pelo Hamas [grupo terrorista]. Então, as pessoas tendem a confundir israelenses com judeus. Judeus brasileiros passam a sofrer com ataques antissemitas, mesmo não tendo relação alguma com o conflito no Oriente Médio, pois não são israelenses, são brasileiros. Tem total relação com os conflitos”, diz.
Karina ressalta a importância do cumprimento da lei para evitar práticas discriminatórias: “O antissemitismo foi equiparado ao crime de racismo na legislação. Então, o mesmo tipo de punição seria aplicado a um crime de antissemitismo, como é a um crime de racismo ou injúria racial”.
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A professora também pontua que as redes sociais contribuem cada vez mais para o aumento generalizado de discursos de ódio. “Nós vemos qualquer postagem que fale sobre o conflito de Israel contra o Hamas ou contra o Irã. Na parte de comentários, em qualquer rede social, é possível detectar inúmeros comentários voltados a judeus. [...] O fato de as pessoas acharem que justamente podem falar o que quiser na internet, a dificuldade que a gente tem hoje de conseguir puni-las acaba incentivando a continuar o uso descabido dessa tal liberdade”, explica.
O Ministério Público do Rio de Janeiro classificou os episódios como crime e irá acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil. A Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo acionou a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância para apurar os casos. Já a Federação Israelita do Estado informou ter adotado medidas legais contra os estabelecimentos.
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