Grupos de moradores defendem áreas verdes em SP
Há projetos de preservação e organizam mutirões de limpeza, além de cursos e atividades
São Paulo|Do R7

Conhecida por suas paisagens tomadas por concreto e pelo cenário tipicamente urbano, a cidade de São Paulo também tem suas ilhas de verde. Elas são defendidas por moradores que se interessam por projetos de preservação e organizam mutirões de limpeza, cursos e atividades de aproximação com a comunidade. Os espaços estão distribuídos em diferentes pontos da capital e mobilizam dezenas de pessoas, cada um.
No Sumarezinho, zona oeste, a Praça das Corujas recebe atenção especial dos defensores do verde. O local, que é público, tem uma horta cuidada pelos moradores da região.
A ambientalista Claudia Visoni, de 50 anos, que também é conselheira do Meio Ambiente da região de Pinheiros diz que há promoção de atividades para manter as áreas verdes.
— A gente promove ações de plantio, cursos de capacitação para a comunidade e para equipes da Prefeitura. Também ficamos atentos às políticas públicas sobre arborização e agricultura urbana. Os defensores do verde estão se articulando em coletivos independentes e estamos conseguindo somar forças.
Entre as principais disputas "verdes" hoje está a transformação em Parque Augusta da área que fica entre as Ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá. A Justiça convocou reunião de conciliação nesta segunda-feira entre ativistas, Prefeitura e construtoras. A presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira César, Célia Marcondes, relata que foi a primeira a fazer um abaixo-assinado sobre o local, em 2001.
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— Sempre vi aquela área como um parque. Falta só ser doada. É o último respiro de uma região onde impera o cimento.
O artista plástico Daniel Caballero, de 44 anos, estudando a paisagem original de São Paulo, redescobriu um tipo de vegetação que antes era comum na região, mas que foi sendo destruída. Caballero resolveu começar em 2015 o "Cerrado Infinito", iniciativa para criar um "mini-Cerrado" na Praça da Nascente, na Pompeia, zona oeste da capital.
Hoje, ele produz mudas em casa e também faz incursões em terrenos baldios atrás de plantas para compor uma trilha que aumenta a cada sábado, dia dos mutirões. Cerca de 50 pessoas já participaram dos encontros, entre elas botânicos e biólogos.
O advogado Danilo Bifone formou um grupo de pessoas interessadas e coletou informações sobre a forma correta de plantar e as espécies apropriadas para o meio urbano. Formou-se o "Muda Mooca", que promove um evento por mês: plantios coletivos, salvamento de árvores, palestras e cursos.
— Já deve estar beirando umas 20 mil árvores plantadas.
Além disso, Bifone contou que, para ele, ver alguém cortando árvore é "frustrante". Só no Serviço de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura, ele já fez mais de 30 reclamações.
O sonho do presidente e fundador do Movimento Ousadia Popular, Quintino José Viana, de 71 anos, é ver a inauguração do Parque Municipal da Brasilândia, na zona norte da capital. Por enquanto a área de mais de 300 mil metros quadrados está ocupada por cerca de 1.500 famílias que vivem de forma irregular no local.
— Começamos essa luta no ano 2000. Essa área verde tem 21 minas d'água e queremos salvá-las. A região precisa de um parque e São Paulo não tem muitas áreas assim.
A Prefeitura informou que "a ocupação irregular da área impede a imissão na posse do terreno", mas que um plano de atendimento para remoção das famílias já foi estruturado. Viana conta que sua relação com a preservação da natureza teve início quando ele tinha 7 anos.
— Eu morava na roça, perdi meu pai muito cedo e comecei a trabalhar. Senti que precisava cuidar das florestas e das águas. Eu não desisto do verde.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.














