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Ações de impacto social devem garantir sobrevivência de empresas 

Em entrevista ao R7, CEO elogiado por Bill Clinton afirma que poder de compra no futuro será dos jovens preocupados com mudanças sociais

Economia|Ana Luísa Vieira, do R7

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Ahmad Ashkar em evento neste sábado (10) em São Paulo
Ahmad Ashkar em evento neste sábado (10) em São Paulo

As empresas que não pensarem em promover mudanças sociais positivas a partir de agora serão esquecidas em uma década. “Tudo porque os jovens com idades que vão dos 18 a 35 anos atualmente têm preferências de compra que diferem totalmente daquelas das gerações anteriores.” O veredito é de Ahmad Ashkar, reconhecido como CEO do Ano em 2017 pela Arabian Business — maior revista de negócios do Oriente Médio — e Empreendedor do Ano em 2016 pela Esquire — publicação americana direcionada ao público masculino.

“A ideia de impacto é muito atraente para os jovens hoje — em relação a produtos e serviços. Se eles puderem comprar uma jaqueta que custa 100 dólares e tiverem de escolher entre um fabricante que faz uso de trabalho escravo ou um fabricante que oferece produtos de comércio justo [sem empregar ninguém de forma irregular], 80% deles vão preferir o fabricante que oferece produtos de comércio justo”, afirmou Ashkar em entrevista exclusiva ao R7


O palestino-americano é CEO da Hult Prize Foundation — plataforma de filantropia que o ex-presidente Bill Clinton já classificou como uma das “ideias que estão mudando o mundo”. Funciona assim: em universidades de diferentes países, estudantes são convidados a apresentar projetos para solucionar os maiores desafios sociais da atualidade. As melhores propostas ganham um milhão de dólares (aproximadamente R$ 3,73 mi) para serem colocadas em prática. Já são quase dez anos de iniciativa e 50 milhões de dólares de capital no setor. 

Suplemento para universidades


No Brasil, a organização trabalha em parceria com mais de 20 instituições — UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), Fundação Getúlio Vargas e USP (Universidade de São Paulo) estão na lista. A intenção, segundo Ashkar, é preencher um vazio que, muitas vezes, é deixado pelas próprias faculdades.

Ashkar fez palestra neste sábado em SP
Ashkar fez palestra neste sábado em SP

“Muitas universidades não ensinam seus alunos a serem criadores de empregos. É por isso que a Hult Prize tem tido tanto sucesso, porque somos um suplemento para as universidades. Trabalhamos de perto com reitores e diretores e somos pagos para isso como um serviço. Somos pagos por governos. Para eles, é um ótimo investimento, porque aqueles alunos acabam saindo e criando empresas onde outras pessoas podem ser empregadas”, disse. 


Os alunos, de acordo com o CEO, aprendem técnicas de negociação, arrecadação de fundos e networking: “Nosso objetivo é simples: equipar os jovens com o que eles precisam para mudar o mundo e os negócios”. A grande questão é convencer burocratas e grandes corporações de que é possível promover ações de impacto social e sustentável sem abrir mão do lucro. 

“Eu também ponho o lucro em primeiro lugar. Vivemos em uma sociedade capitalista. Mas o que queremos, com a Hult Prize Foundation, é gerar lucro aos burocratas por meio de companhias que causem impacto social e sustentável, de forma que todos os lados fiquem felizes”, explicou.


“Os burocratas dizem 'tome, invista meu dinheiro' e eu digo 'sim, eu vou te dar retorno, mas vai ser por meio de negócios que tenham impacto social'. Alinhando os interesses sociais e econômicos, você tem a oportunidade de construir algo grandioso.”

Perspectivas para o futuro

De passagem no Brasil para uma série de palestras e encontros com líderes regionais, Ashkar considera que, no país, a ideia ainda engatinha. “Não há muito acontecendo nesse sentido por aqui. É um segmento em ascensão no mercado. Mas há o caso de uma escola de idiomas multibilionária. Eles são uma empresa com fins lucrativos que dá a alguns funcionários a oportunidade de dobrar o próprio salário se eles aprenderem inglês. É um exemplo de impacto social.” 

O CEO reforça que repensar os negócios é questão de sobrevivência para as empresas brasileiras — e de outros países em desenvolvimento: “Como consumidores, temos o poder de dizer às corporações o que queremos. Se pararmos de comprar seus produtos, eles serão obrigados a pensar em produtos novos. E se dissermos a eles que queremos produtos com impacto social, eles vão começar a considerar isso, porque tudo o que querem é maximizar seu lucro”, esclareceu. 

“Os jovens finalmente têm como exigir o impacto por meio de comunicação e tecnologia. Eles estão em contato uns com os outros em dimensão global. E nos próximos 40 anos, 60 trilhões de dólares estarão em jogo na mais larga transferência inter geracional da história. Esse dinheiro vai dos nossos pais e avós para os millennials. Isso significa que eles são quem vai controlar o dinheiro — serão os acionistas e investidores do futuro.” 

OS CONCEITOS QUE DEVEM DEFINIR OS NEGÓCIOS DO FUTURO, NAS PALAVRAS DE AHMAD ASHKAR

Impacto: “É mudar a trajetória de uma pessoa, de uma empresa, de uma cidade. É mudar uma trajetória. Se você me encontra e sua trajetória muda, isso é impacto. Se eu recebo ajuda e agora tenho a possibilidade de mudar de casa, e antes eu vivia na rua, isso é impacto. Qualquer bem, produto ou serviço que é entregue e permite que uma trajetória mude causa impacto”

Sucesso: “Se dá basicamente a partir de três coisas: senso de realização, propósito e meios para prosperar, e não simplesmente sobreviver”

Conhecimento: “É o resultado da aprendizagem”

Experiência: “É ser capaz de colocar o aprendizado na prática. É a ideia de saber 'o quê' e demonstrar 'como'“

Empatia: “É a mais importante de todas as palavras sobre as quais falamos. É a habilidade sentir o que os outros — sejam eles mais ou menos favorecidos que você — sentem. É colocar a sua concha dentro do coração, da mente, do corpo e da alma do outro”

Falha: “A falha é o aprendizado. A única forma de aprender. É a beleza da coisa, o agridoce. Você não conhece o doce se não provar do amargo. Não sabe o que é o bonito se não conhecer o feio”

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