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AES Eletropaulo vê risco de colapso financeiro por sobras de energia contratada

Economia|Do R7

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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A distribuidora de energia AES Eletropaulo enviou carta à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na qual afirma que "estará sujeita ao risco de colapso financeiro" caso o regulador não encontre uma solução para as sobras de energia contratada da empresa, que têm sido vendidas com prejuízo no mercado spot de eletricidade.

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As distribuidoras compram energia antecipadamente, em leilões promovidos pelo governo federal, e a maior parte delas encontra-se hoje com excesso de contratação devido à queda de demanda dos clientes, conforme o Brasil caminha para o segundo ano consecutivo de retração no consumo devido à recessão e à forte elevação das tarifas no ano passado.

Quando as sobras de energia são de até 5 por cento, as distribuidoras podem repassar o custo da sobrecontratação aos consumidores, enquanto excedentes acima disso podem gerar perda financeira para as companhias.

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A companhia, que distribui 34 por cento da energia consumida no Estado de São Paulo, já afirmou que a sobrecontratação encerrará o ano em 16 por cento, o que deverá multiplicar perdas registradas no primeiro trimestre, se nada for feito.

A sobrecontratação da Eletropaulo foi de 5,9 por cento no primeiro trimestre, o que gerou efeito negativo de 40,3 milhões de reais no balanço do período, colaborando para reduzir o lucro líquido em 34,6 por cento ante mesmo trimestre de 2015, para 30,6 milhões de reais.

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Na carta à Aneel, à qual a Reuters teve acesso, datada de 11 de abril, a companhia afirmou que tem atualmente contratos de compra de energia "com custo de aproximadamente 400 milhões de reais ao ano sem qualquer cobertura tarifária".

Essa energia é comprada por um preço médio de 148 reais por megawatt-hora e vendida pelo preço spot, que começou o ano na casa dos 30 reais por megawatt-hora e atualmente está em cerca de 80 reais por megawatt-hora.

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Em nota à Reuters, a Eletropaulo disse que não tem projeções sobre perdas com o atual nível de sobrecontratação, uma vez que o impacto "pode ser afetado por variações do preço da energia no mercado de curto prazo".

"O nível de sobrecontratação pode levar qualquer companhia a exposições financeiras importantes, razão pela qual, para serem mitigadas, requerem ações de controle e, entre elas, a atuação do regulador. Essa foi a motivação do requerimento administrativo apresentado", explicou a empresa.

Desde que a carta foi enviada à Aneel, há exatamente um mês, nenhuma medida foi efetivada para resolver o problema. Procurado nesta quarta-feira, o regulador não respondeu imediatamente.

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COMPRA DESNECESSÁRIA

O principal argumento da Eletropaulo para pedir uma solução para as sobras é o fato de que as regras dos leilões de energia promovidos pelo governo obrigam as distribuidoras a repôr ao menos 96 por cento dos contratos de compra de eletricidade que vencem a cada ano, com o objetivo de assegurar que não faltará suprimento para os clientes, independentemente se o mercado consumidor está em baixa.

A Eletropaulo, com isso, foi obrigada a recomprar em um leilão em 2015 a maior parte da energia de um contrato que possuía junto à AES Tietê e venceu no final do ano passado, mesmo já sabendo que não precisaria daquela contratação.

"Cinco meses antes... a AES Eletropaulo previu que eventual contratação de todo o montante de reposição imporia à distribuidora uma contratação superior à necessidade de energia para atendimento de seu mercado", afirma a empresa na carta ao regulador.

Com isso, a elétrica argumenta que "a regulação... não está preparada para lidar com a redução da carga", e pede que a agência reguladora e o Ministério de Minas e Energia estudem eventuais saídas para a situação que possam trazer efeito retroativo até janeiro deste ano.

A elétrica não aponta uma solução no documento.

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