Análise: pandemia e tarifaço precisaram ‘assustar’ mercados para que Mercosul-UE fosse acordado
Após quase 27 anos das primeiras negociações, europeus anunciam aplicação provisória do tratado de livre comércio
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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A pressão imposta pelo tarifaço foi crucial para colocar o acordo entre União Europeia e Mercosul em pauta novamente, argumenta o economista Denis Medina. As primeiras negociações datam de 1999, mas o tratado só foi assinado em janeiro deste ano — quase 27 anos depois.
Nesta sexta-feira (27), a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, afirmou que o bloco vai aplicar o tratado de forma provisória, em medida que busca garantir vantagem comercial enquanto a confirmação do texto tramita internamente nos países.

Em entrevista ao Conexão Record News, o especialista explica como ambos os lados se beneficiam do acordo. “Tudo que [os europeus] precisam consumir de alimentos, a gente tem aqui para oferecer. E, por outro lado, a gente precisa de produtos mais trabalhados, com mais tecnologia, que eles também têm a oferecer.”
Medina lembra que os mercados saíram assustados da pandemia, que rompeu cadeias de comércio com as restrições de circulação, para dar de cara com os entraves das tarifas dos Estados Unidos. O cenário evidenciou a importância de ter fontes de recurso alternativas, diz.
“Esse acordo gera uma certa confiabilidade e uma tranquilidade nesse comércio, com uma redução de custos também. Existe uma estimativa de que vai ter uma redução de 4 bilhões de euros em tarifas nesse acordo de livre transação. Isso tudo acaba aliviando o preço dos produtos não só para nós aqui no Mercosul, mas também para a União Europeia.”
A decisão de antecipar a aplicação — anunciada após Argentina e Uruguai concluírem a aprovação do acordo — acontece apesar da forte oposição da França. Brasil e Paraguai também já iniciaram os trâmites legislativos.
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