Analista compara tarifaço ao Brexit e diz que efeito foi oposto ao esperado por Trump
Aumento da participação chinesa no comércio e protagonismo brasileiro foram efeitos diretos da medida
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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Em 6 de agosto de 2025, o tarifaço de Trump oficialmente entrou em ação. Desde essa data, as exportações entre o Brasil e os EUA diminuíram gradativamente com o passar dos meses e, em janeiro de 2026, o recuo registrado foi de 25,5%. Saíram os norte-americanos e entraram os chineses.
Segundo dados do MDICS (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), as exportações ao país asiático no mesmo mês cresceram 17,4%. Ao mesmo tempo, as importações da China caíram e quem saiu ganhando foi o Brasil, com um superávit de US$ 720 milhões. Diante desses resultados, o economista Roberto Troster comenta que “o Trump conseguiu exatamente o oposto que esperava”.

Dentre as mudanças que ocorreram com o tarifaço mundial imposto pelo presidente, o comércio mundial do mundo inteiro cresceu. Troster também lembra que durante o primeiro ano do líder na Casa Branca, a China conseguiu superar a barreira de um trilhão de dólares, enquanto o saldo brasileiro teve melhorias consideráveis na balança de comércio. Durante uma entrevista com o Conexão Record News desta sexta (6), o especialista encontrou semelhanças entre a estratégia de Trump e a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit.
“Os ingleses saíram da U.E. achando que ela iria se enfraquecer. O que aconteceu foi exatamente o oposto. Ela ficou mais forte, incorporou mais membros e agora, também por conta do tarifaço, tivemos os acordos U.E.-Mercosul e U.E.-Índia. [...] Os EUA melhoraram um pouco o saldo comercial deles, mas a indústria americana está dando sinais de fraqueza”, elabora o economista, que enxerga que as medidas americanas levaram a um comércio global mais centrado na China e num fortalecimento da influência brasileira.
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Embora o país seja líder na exportação de mercadorias como laranja e café, produtos com maior valor agregado ainda são produzidos majoritariamente nos EUA. Ao ser questionado sobre essa desvantagem produtiva e a necessidade de manter boas relações com a Washington, Troster é direto: “É bom ser mais amigo do Trump do que inimigo” — ainda assim, ele considera um ponto importante — “Trump tem mostrado uma política externa errática, não só com o Brasil, mas com quase todos os países. Então acredito que ele é alguém que não é tão confiável assim”.
O economista ainda avalia que a dependência na China pode ser danosa a longo prazo e que por isso seria interessante o Brasil procurar um valor agregado maior às próprias exportações. “Um exemplo são as terras raras. Agora queremos fazer pactos com todos os países, mas deveríamos também focar em como podemos agregar no valor desses territórios antes de exportá-los”, conclui.
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