Bacalhau ou peixe salgado? Especialista revela o que está por trás do prato típico de Páscoa
Stela Conte explica como o peixe é produzido na Noruega e por que ele custa tão caro no Brasil
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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O Brasil é o segundo maior comprador de bacalhau do mundo, atrás apenas de Portugal. Consumido especialmente durante os períodos festivos, como a Páscoa, o prato carrega uma série de curiosidades junto ao sabor inigualável. Uma delas é que, apesar de ter se tornado tradição nas mesas portuguesas, ele é natural das águas frias da Noruega.
Em entrevista ao Link News, Stela Conte, consultora veterinária do Conselho Norueguês de Pesca, explica que, na verdade, o que se convencionou chamar de bacalhau pode corresponder a diferentes espécies de peixes após um processo de salga. Mas o “legítimo”, considerado mais nobre, é o da espécie norueguesa Gadus morhua.

Apesar disso, o “verdadeiro” não costuma ser o bacalhau mais facilmente encontrado. “A gente tem algumas espécies que antigamente eram consideradas como tipo bacalhau, que, após a legislação do Ministério da Agricultura, acabam sendo enquadradas como peixe salgado ou peixe salgado seco”, diz Stela. Um exemplo é o tipo saithe, saboroso e muito utilizado na fabricação de bolinhos e pastéis.
Mas, legítimo ou não, o bacalhau é reservado para ocasiões especiais por um motivo: os preços altos para boa parte dos brasileiros, reflexo de uma cadeia de produção cara. “Todo o trâmite burocrático que está implícito ali, desde a parte regulatória de produção dessas cargas, acaba gerando um valor final significativo para a mesa do consumidor brasileiro. E, somado a isso, a gente tem uma questão tributária bastante pesada”, pondera.
Sobre a perspectiva do acordo Mercosul-União Europeia para a indústria, Stela afirma que ela é “muito positiva”: “A gente visa uma amplitude da diversidade de pescado que pode vir da Noruega, assim como a contramão, produtos do Brasil que podem ser exportados. E, com esse aumento de espécies e aumento de volume, viabilizar cada vez mais, principalmente aumentar o consumo de pescado pelo brasileiro”.
Para isso, a consultora defende um caminho na contramão do que propõe a reforma tributária brasileira. Na visão de Stela, tratar o bacalhau como produto “gourmet” elitiza seu consumo. “A gente tenta trazer a ideia de que esse talvez não seja o melhor caminho, justamente o contrário. Se é um produto hoje que chega com um valor alto, a gente quer viabilizar isso para a maior parte da sociedade, [...] trazer acesso para que todos provem o bacalhau, que seja uma outra fonte de proteína acessível para todo mundo”, completa.
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