Banco central dos EUA eleva juros para a faixa de 3,75% a 4% pela 1ª vez em 3 anos
É a primeira mudança sob o comando do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu com a expectativa de redução das taxas
Economia|R7, com Reuters
O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevou as taxas de juros nesta quarta-feira (16) e sinalizou novos aumentos nos custos dos empréstimos nos próximos meses, pela 1ª vez em mais de 3 anos.
Também é a primeira mudança de política monetária sob o comando do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu o cargo no final de maio após ser escolhido por Trump com a expectativa de que reduzisse as taxas.
Warsh aderiu a uma decisão unânime que reconhece, na prática, a incapacidade do governo Trump, até o momento, de controlar a inflação.
Embora o presidente Donald Trump tivesse prometido reduzir os preços durante seu mandato, o impacto combinado de suas tarifas sobre importações globais, um choque energético após o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã e os gastos de capital decorrentes do boom da inteligência artificial mantiveram as pressões sobre os preços intensas.
O que foi suficiente para que o Fed sentisse a necessidade de elevar sua taxa básica de juros overnight em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%.
Novas projeções de política monetária mostraram que 16 dos 18 formuladores de política monetária preveem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o final deste ano, com apenas dois deles prevendo que as taxas permanecerão estáveis a partir de agora.
Análise
Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York, a decisão do Fed veio dentro do esperado.
“Diante dos dados de inflação da semana passada, que não foram suficientes para acalmar o mercado, e com o petróleo voltando a superar os US$ 100 por barril, o Fed optou por elevar as taxas a fim de preservar sua credibilidade”, afirma Flores.
A depender do desdobramento do conflito no Irã, ele acredita que poderá haver mais um aumento na taxa de juros ainda este ano.
“O comunicado causou uma leve queda nas bolsas americanas, que mantiveram seu desempenho positivo no dia, dado que o aumento na taxa de juros já estava amplamente precificado. O dólar se manteve estável, assim como a Ibovespa, que já registrava uma performance negativa no dia”, acrescenta o gestor de investimentos.
Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, afirma que a decisão unânime mostra que o consenso apontava para esse movimento, sem surpresa relevante de curto prazo.
“O principal ponto, na minha visão, não é nem a alta em si, mas o fato de o Fed elevar a projeção de juros para o fim de 2026, de 3,8% para 4,1%, sinalizando que pode haver mais uma alta ainda este ano. É um tom de comitê que não está satisfeito com o processo desinflacionário e prefere apertar um pouco mais os juros do que ceder a cortes ou mantimento”, avalia Bassani.
Neste momento, acredito que teremos novas altas até o fim do ano. Na minha leitura, este é o dado mais importante da rodada: a projeção mediana do próprio Fed para 2026 subiu para 4,1%, o que matematicamente só se sustenta com pelo menos mais uma alta de 25 pontos-base em uma das duas reuniões restantes do ano (outubro/dezembro)“, conclui.
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