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Banrisul não será vendido, diz diretor financeiro

Economia|Do R7

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SÃO PAULO (Reuters) - O banco estatal gaúcho Banrisul não será vendido, disse nesta quarta-feira o diretor financeiro da instituição que tem sofrido os efeitos da crise fiscal que atinge o governo do Rio Grande do Sul.

"Isso é impossível", disse à Reuters o diretor de finanças e relações com investidores do Banrisul, Ricardo Hingel. "Tenho quase uma procuração do governador do Estado para dizer isso", afirmou pouco antes, durante apresentação a analistas da Apimec. Ele explicou que o valor de mercado do banco está muito baixo e que uma venda não resolveria os problemas orçamentários do Estado.

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A deterioração da economia do país e a situação fiscal do Rio Grande do Sul têm deteriorado algumas métricas importantes do Banrisul, pressionando as ações, que às 12h37 desta quarta-feira exibiam alta de 0,18 por cento, a 5,55 reais.

O índice de inadimplência acima de 90 dias do banco passou de 3,74 para 4,47 por cento na passagem do segundo para o terceiro trimestre, nível bem acima dos registrados pelos maiores bancos do país.

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Além disso, o índice de cobertura para calotes acima de 90 dias, caiu na mesma comparação, chegando a 154 por cento em setembro, na contramão dos rivais maiores, que ostentavam índice ao redor de 200 por cento.

Parte importante dessa deterioração deveu-se a atrasos nas operações com empresas. Mais de 70 por cento da carteira de crédito do Banrisul para pessoas jurídicas era para capital de giro no final do terceiro trimestre.

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"Houve muitos pedidos de recuperação judicial", argumentaram executivos do banco no encontro com os analistas.

O Banrisul também teve problemas recentes com sua carteira de crédito consignado, segmento que representa três quartos dos empréstimos para pessoas físicas.

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Dadas as restrições orçamentárias do governo gaúcho, o pagamento de créditos tomados por funcionários do Estado tem sofrido atrasos de até 20 dias.

Segundo Hingel, no entanto, o banco teve um compromisso do governo local de que os atrasos não vão mais acontecer.

De todo modo, o Banrisul previu que seu índice de inadimplência deve crescer mais em 2016, dada a previsão majoritária de que o país terá outro ano de recessão econômica.

Ainda assim, o banco descarta a hipótese de fazer cessão de carteiras a outras instituições como forma de fortalecer sua posição de liquidez e reduzir exigências de capital.

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(Por Aluísio Alves)

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