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BC: déficit mais alto reflete descompasso entre receitas e despesas por governos

Economia|Do R7

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O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou nesta quarta-feira, 31, que os déficits primários mais elevados registrados nos últimos meses refletem um descompasso entre receitas e despesas por parte dos governos.

Para ilustrar a questão, Maciel citou dados do Tesouro Nacional e afirmou que as despesas reais cresceram 3% de janeiro a julho, ante o mesmo período do ano anterior, enquanto as receitas reais recuaram 5,2%. "Isso já vem ocorrendo há algum tempo e este descompasso entre os dois fluxos repercute nos saldos (primários) dos resultados mensais", pontuou. Em grande parte, os déficits são consequência da atividade econômica, que acaba por limitar as receitas.

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Pelos dados divulgados pelo Banco Central, o País registrou déficit primário de R$ 12,816 bilhões - o pior resultado para toda a série histórica, iniciada em dezembro de 2001.

Despesa com juros

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Maciel disse que, embora elevada, a despesa com juro é a melhor para meses de julho desde 2014. No mês passado, essas despesas somaram R$ 40,584 bilhões. Em julho de 2015, foi de R$ 62,753 bilhões e um ano antes, de R$ 27,996 bilhões.

"Houve uma redução de quase R$ 20 bilhões ante julho do ano passado e alta de R$ 18 bilhões ante junho deste ano", comparou o economista do BC. Em junho, essa rubrica somou R$ 22,113 bilhões. "Mais uma vez, predominam os resultados das operações de swap nessa evolução", considerou o técnico. Em julho, o BC teve prejuízo de R$ 1,777 bilhão com esses leilões.

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No acumulado de 12 meses, as despesas com juros passaram de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2015 para 7% agora. "Aqui também o resultado dos swaps ajuda a explicar essa evolução", disse.

O comportamento dos juros, de acordo com Maciel, contribuiu para um déficit levemente menor no acumulado de 12 meses ante o PIB do fim do ano passado para agora. No período, passou de 10% para 9,58%. "O que acontece é que, apesar de o resultado primário estar pior, as despesas com juros estão melhores e isso tem compensado e mantido o resultado nominal perto de 10% do PIB praticamente desde o fim do ano passado", comparou.

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Discrepância

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central afirmou que a discrepância entre os resultados fiscais apresentados na terça pelo Tesouro e no dia seguinte pelo BC se deve à estatística. Ele lembrou que o Tesouro capta as despesas com capitalização de juros de alguns programas, como o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), apenas no início de cada semestre, enquanto o Banco Central contabiliza mês a mês. "Isso sempre ocorrerá a cada início de semestre", comentou.

Na terça, o Tesouro informou um déficit primário de R$ 18,551 bilhões para o governo central em julho. Pelos dados do BC, divulgados hoje, o déficit primário do Governo Central para o mês passado foi de R$ 11,853 bilhões - ainda assim, o pior para o mês em toda a série histórica da instituição.

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