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BID: com nível atual de gasto, Previdência chegaria a 138% do Orçamento em 2065

Economia|Do R7

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O gasto do Brasil com a Previdência é, relativamente, o mais alto da região da América Latina e Caribe, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), "Melhores Gastos para Melhores Vidas", lançado nesta terça-feira, 7. "Se mantidos os níveis atuais de gasto, os sistemas de Previdência poderiam aumentar dos atuais 40% do Orçamento para 138% em 2065, inviabilizando o equilíbrio fiscal", destaca o estudo.

Esse cenário, diz a pesquisa, implicará em redução dos recursos para outras prioridades, como desenvolvimento de capital humano e infraestrutura, essenciais para sustentar o crescimento econômico ao longo do tempo. O documento atesta que gasta-se sete vezes mais com a população mais velha que com os mais jovens.

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O estudo aponta que, sem reformas, o gasto público com o envelhecimento na região deverá aumentar de 16% para 27,6% do PIB de 2015 a 2065.

Os custos com as aposentadorias deverão contribuir mais para o aumento desse gasto, com alta de 8 pontos porcentuais. O gasto com saúde deve crescer 5,2 pontos porcentuais até 2065, enquanto o gasto com educação deve cair 1,6 ponto porcentual, uma vez que o estudo aponta estabilidade nos gastos por estudante.

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"É preciso analisar todos os direitos previdenciários com que os países da América Latina e do Caribe se comprometeram, implícita ou explicitamente, a pagar. Esses direitos podem ou não estar no orçamento de curto ou médio prazo, mas são compromissos que os países deveriam considerar", diz o texto.

O relatório faz ainda reflexão de qual é o resultado de se gastar mais com idosos em vez de com outras necessidades, tais como segurança pública ou programa para crianças.

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"Os governos precisam escolher entre prioridades concorrentes no âmbito de um processo orçamentário mais equânime", diz o estudo, destacando que as crianças são os principais beneficiários de serviços de educação, enquanto idosos são os principais beneficiários de serviços de saúde e aposentadoria.

Segundo o documento, os governos da América Latina e do Caribe gastam em média US$ 4 mil per capita com pessoas acima de 65 anos e US$ 1 mil com jovens entre 10 e 25 anos. "Os benefícios dos idosos deveriam pagar sua parcela de impostos antes de transferi-la para a geração seguinte", diz o documento.

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Gastos públicos ineficientes podem custar até 3,9% do PIB

O estudo aponta que os gastos públicos ineficientes no Brasil podem representar um prejuízo de até US$ 68 bilhões por ano, o equivalente a 3,9% do PIB do País. O prejuízo seria resultado da ineficiência na alocação de recursos públicos e na forma de execução de programas e projetos, tais como compras governamentais, na gestão do funcionalismo público e nas transferências de recursos.

Para tornar mais eficiente o gasto público no Brasil, o estudo sugere melhorar a gestão do investimento público, com prioridade para projetos com maior impacto social e que garantam o crescimento futuro do País.

As recomendações incluem investir mais em crianças na comparação com o investimento em idosos, aprimorar a gestão do funcionalismo público, com revisão da estrutura de carreiras e salários, fortalecer os sistemas de compras públicas e criar mecanismos que assegurem as transferências de recursos para os que realmente necessitam.

Recomendações de políticas públicas

O relatório do BID apresenta algumas recomendações de políticas para melhorar a eficiência do gasto no Brasil. A primeira delas é a reforma do sistema previdenciário, com unificação dos sistemas próprios de Previdência e o aumento gradual da idade de aposentadoria ao longo dos anos. O estudo sugere ainda que seja incorporada a projeção de passivos previdenciários no marco fiscal de médio prazo e no orçamento plurianual.

Com relação às compras públicas, a sugestão é para que se adote licitações competitivas e eficientes, limitando ao mínimo o uso de exceções, com fortalecimento do sistema de compras eletrônicas ComprasNet.

Melhorar a gestão do investimento público é outra recomendação do BID, de forma a priorizar projetos mais rentáveis socialmente e melhorar a qualidade do investimento público a nível subnacional.

Com relação ao funcionalismo público, o BID sugere a redução das diferenças salariais entre funcionários públicos federais e os funcionários do setor privado para um mesmo nível de habilidade. Sugere ainda a continuidade das auditorias das folhas de pagamento em todo o setor público, incluindo empresas públicas.

O estudo recomenda também que seja assegurada a melhoria da arrecadação própria dos governos subnacionais. Sugere um maior gasto por aluno acompanhado de medidas de resultados, assim como maior nível de formação de docentes e de ajuste salarial baseado em desempenho. "A eficiência aumenta quando se paga melhor aos professores, que geral melhores resultados", destaca o documento.

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