Black Friday chega com aperto financeiro para milhões e exige cautela, diz analista
Economista avalia cenário econômico atual, com aumento na taxa de empregos em contraste com a crescente dívida da população
Economia|Do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Black Friday, data que movimenta a economia mundial com grandes descontos no mercado, é nesta sexta-feira (28). Embora o momento seja propício para se jogar nas compras, cerca de 35% dos brasileiros consideram que estão em uma situação financeira vulnerável.
A pesquisa “Monitor do Custo de Vida 2025”, lançada pela Ipsos, entrevistou pessoas de 30 países e apurou que, no Brasil, o cenário é preocupante: mais de um terço da população que respondeu ao levantamento afirmou estar em situação financeira “difícil/muito difícil”. O percentual é superior à média global, de 27%.
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Professor de economia do Ibmec Brasília, Bruno Paixão explica que a relação entre emprego, inflação e poder de compra é complexa e, atualmente, apresenta um equilíbrio “delicado”, com sinais positivos no mercado de trabalho, mas pressões no poder aquisitivo.
“O emprego está em patamares historicamente baixos de desemprego, impulsionado por políticas de inclusão e crescimento do PIB para 2025. A inflação, em queda, ajuda a preservar o poder de compra, mas os juros altos e o custo de vida elevado corroem os ganhos reais dos salários”, afirma Paixão, acrescentando que essa relação resulta em um poder de compra estagnado para classes médias e baixas.
A visão do economista condiz com o apontado na pesquisa da Ipsos. Entre os brasileiros, apenas 8% responderam estar vivendo de forma plenamente confortável com sua renda, enquanto 26% afirmaram estar “ok”, e 28% relataram “estar se virando como podem”.
As dívidas de fim de ano
Segundo Paixão, o endividamento dos brasileiros é um fator que contribui, de forma clara, para os bolsos apertados no fim de ano.
“Com o volume de crédito total na economia em R$ 20,1 trilhões e juros médios em 58,7% ao ano, as famílias enfrentam um custo recorde de dívidas, o que reduz o espaço para gastos discricionários”, afirma o professor, que pontua que a população tende, agora, a priorizar itens essenciais e adiar a compra de bens duráveis.
Com esse cenário, o especialista projeta um crescimento moderado nas vendas reais da Black Friday de 2025, em torno de 2% a 3% em relação a 2024, impulsionado pela queda da inflação e pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário, mas contido pelos juros altos e endividamento.
O economista explica que o “feriado de compras” funciona como uma forma de “medir” o comércio e que projeta como será o mercado no próximo ano.
“A Black Friday serve como um termômetro crucial para a saúde do varejo, sinalizando uma confiança do consumidor em recuperação moderada, mas ainda cautelosa, o que pode se estender ao Natal e ao início de 2026”, ressalta.
“A confiança, liderada por um consumidor mais experiente e desconfiado de promoções falsas, sugere um 2026 com crescimento sustentável no consumo se a inflação continuar baixa e os juros caírem, potencializando um cenário positivo para o consumo.”
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