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Corte de impostos sobre diesel pode aliviar preços, mas efeito nas bombas tende a ser gradual

Medida zera tributos sobre o combustível e cria taxação sobre exportações de petróleo para compensar perda de arrecadação

Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Governo zera impostos sobre diesel e aumenta alíquota de exportação de petróleo.
  • Impacto no preço do diesel será gradual e pode não chegar integralmente ao consumidor.
  • Medida busca aliviar pressões inflacionárias, mas depende de fatores externos como cotações e câmbio.
  • Economistas alertam para riscos de distorções no mercado de exportação caso a nova taxa se prolongue.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Presidente Lula zerou imposto e subsidiou diesel para conter a alta do petróleo Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para zerar a cobrança de impostos federais sobre o diesel e elevar a alíquota sobre a exportação de petróleo podem gerar algum alívio no preço do combustível e nas pressões inflacionárias, mas o impacto no bolso do consumidor tende a ocorrer de forma gradual, segundo economistas ouvidos pelo R7.

A medida reduz a zero a cobrança de tributos federais sobre o diesel e cria uma taxação maior sobre exportações de petróleo, estratégia que o governo pretende usar para compensar a perda de arrecadação provocada pelo corte de impostos.

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Para o doutor em economia Hugo Garbe, a redução tributária pode levar a uma queda no preço final do combustível, mas o repasse ao consumidor dificilmente ocorre de maneira integral ou imediata.

“O preço final do combustível é formado por várias etapas da cadeia — refinaria ou importação, distribuição, transporte e revenda — e cada uma delas possui margens próprias. Além disso, há o fator dos estoques: postos e distribuidoras muitas vezes ainda operam com combustível adquirido a preços anteriores”, afirma.

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Na prática, ele explica, parte da redução costuma chegar ao consumidor, mas normalmente de forma gradual e, em alguns casos, parcialmente absorvida ao longo da cadeia.

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Impacto na inflação

Como o diesel é o principal combustível utilizado no transporte de cargas no Brasil, a redução de custos pode ajudar a aliviar pressões inflacionárias, ainda que de forma limitada.

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De acordo com Garbe, o país depende fortemente do transporte rodoviário, o que faz do diesel um insumo relevante para a logística de alimentos, suprimentos agrícolas e produtos industriais.

“Qualquer redução no custo do diesel tende a gerar algum alívio nas pressões inflacionárias. Ainda assim, o impacto costuma ser moderado, porque o preço final dos alimentos depende também de fatores como safra, condições climáticas, preços internacionais de commodities e câmbio”, explica.

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Estratégia fiscal

A elevação da alíquota sobre a exportação de petróleo tem como objetivo compensar a perda de arrecadação com a redução de impostos internos e capturar parte da renda gerada por preços internacionais mais altos da commodity.

Segundo Garbe, no entanto, o impacto dessa medida sobre o mercado doméstico de combustíveis deve ser limitado. “O Brasil é um grande exportador de petróleo bruto, mas ainda importa uma parcela relevante do diesel que consome. Isso significa que a formação de preços do diesel no país continua bastante vinculada ao mercado internacional de derivados”, observa.

Ele também avalia que a criação de um imposto sobre exportações pode gerar algum risco de distorção de mercado, especialmente se a medida se prolongar por muito tempo. “Dependendo da intensidade e da duração da medida, ela pode reduzir marginalmente a atratividade da exportação de petróleo brasileiro ou levar empresas a reavaliar estratégias comerciais”, diz.

Medida de curto prazo

Para o economista César Bergo, o objetivo principal do corte de impostos sobre o diesel é reduzir o impacto do combustível sobre os custos de transporte e, consequentemente, sobre o preço de produtos para o consumidor.

“A redução de impostos visa a dois aspectos: diminuir o preço do diesel nos postos e evitar que um aumento mais forte contamine os fretes e, por consequência, o preço dos produtos nas gôndolas”, pontua.

Segundo ele, caso a redução tributária seja integralmente repassada ao consumidor, o preço do diesel poderia cair cerca de R$ 0,60 por litro. “O consumidor pode realmente ter um certo alívio com esse corte calculado na faixa de R$ 0,60 no valor do diesel, se toda a cadeia de distribuição obedecer à lógica econômica”, analisa.

Bergo destaca, porém, que fatores como a cotação internacional do petróleo e a variação do dólar continuam tendo forte influência sobre os preços dos combustíveis no Brasil. “O petróleo subiu muito e chegou a bater US$ 100 novamente. Outro fator é o dólar, que está subindo. Esses dois fatores conjugados implicam o aumento do preço do combustível no Brasil”, ressalta.

Na avaliação do economista, a medida anunciada pelo governo tem caráter pontual, voltado a conter pressões momentâneas. “Não é uma medida estrutural, é algo pontual, de curto prazo, para enfrentar um problema atual”, sublinha.

Ele também observa que a taxação sobre exportações de petróleo pode gerar algum risco de distorção no mercado, dependendo da duração da política. “Se a questão ficar no curto prazo, talvez isso não seja observado, mas pode acontecer algum impacto no mercado de exportação de petróleo”, prevê.

Apesar disso, o economista avalia que o corte de impostos pode trazer algum alívio imediato para setores dependentes do transporte rodoviário, embora os fatores estruturais que determinam o preço dos combustíveis — como o valor internacional do petróleo e o câmbio — continuem influenciando o mercado brasileiro, com reflexos diretos no custo dos fretes e da logística.

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