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BNDES dará prazo de 1 ano para emissão de debêntures

Economia|Do R7

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No novo modelo de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que reduz a participação do crédito subsidiado e incentiva a emissão de títulos de dívida pelas empresas, será exigido que esses papéis sejam lançados a mercado no máximo um ano após a contração do empréstimo de longo prazo. Levando em conta os trâmites normais, o prazo máximo para a emissão será em torno de três anos após o início da concessão.

A regra valerá para todos os projetos do pacote de concessões anunciado terça-feira, 9, que será o primeiro teste do novo modelo de financiamento. A exigência é importante porque, se fosse exigido um prazo inferior, poderia haver menos apetite dos investidores pelos títulos.

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No novo modelo, os empreendedores que emitirem debêntures (como também são chamados esses títulos de renda fixa) terão uma parcela maior do empréstimo do BNDES com a taxa de juros de longo prazo (TJLP, hoje em 6,0% ao ano). A TJLP é considerada subsidiada porque é inferior aos juros médios do mercado, que seguem a Selic - a taxa básica fixada pelo Banco Central (BC), em 13,75%.

"A ideia é que essa debênture seja emitida dentro de um prazo de em torno um ano após a contratação do financiamento de longo prazo", disse ao jornal "O Estado de S. Paulo" o chefe do Departamento de Logística (Delog) do BNDES, Cleverson Aroeira.

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De acordo com Aroeira, em torno de três anos após a concessão, é um prazo adequado, entre o objetivo do banco, de atrair o financiamento privado, e o tempo necessário para o mercado analisar os títulos. "(Nessa fase,) O projeto não está totalmente operacional ainda, provavelmente, mas já tem algumas informações que ajudam a reduzir a percepção de risco", disse.

Segundo o diretor de project finance do Itaú BBA, Alberto Zoffmann, o risco de investir em projetos de infraestrutura se reduz à medida que as obras avançam. Quanto mais perto da conclusão, menor o risco, pois, quando a obra está pronta e a concessão, gerando receitas com pedágio, o retorno financeiro, tanto do empréstimo quanto da debênture, é mais seguro. Avaliar o risco na construção é mais difícil. "O mercado de capitais não está preparado para avaliar todos os riscos de uma construção", disse o executivo.

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Para Cláudio Frischtak, sócio da Inter.B Consultoria, o prazo máximo mais favorável às empresas pode ter também o objetivo de esperar o mercado melhorar. O sucesso do novo modelo depende dos indicadores da economia, ou seja, do nível da Selic e da inflação. Desde o fim do ano passado, para conter a inflação, o BC voltou a elevar a taxa de juros, agora no maior nível desde 2008. "O cenário macroeconômico se deteriorou muito, recentemente", disse.

A consequência é que os juros para as concessões vão subir inicialmente. Na visão de Frischtak, eles só cairão se o ajuste da política econômica der certo, reduzindo a inflação e, assim, os juros nos próximos anos.

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Zoffmann, do Itaú BBA, concorda que vai demorar de dois a três anos para o dinheiro privado, por meio da emissão de títulos, realmente participar do financiamento junto com o BNDES. Segundo o executivo, a estratégia é "inteligente", mas apenas conhecendo os parâmetros dos editais, caso a caso, será possível estimar se valerá ou não a pena emitir os títulos.

O BNDES aposta que dará certo. "Ficou bem desenhado o incentivo e consistente com a nova realidade de custo de capital", afirmou Cláudio Leal, superintendente da Área de Planejamento do banco.

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