Bolsa deve ter melhor primeiro trimestre com entrada de capital externo desde 2022
Saldo em março caminha para ficar positivo — com acumulado de R$ 7,05 bi até dia 24 —, contra R$ 3,1 bi no mesmo período de 2025
Economia|Do R7, com Estadão Conteúdo
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A incerteza gerada nos mercados mundiais pela guerra no Oriente Médio não foi suficiente para afastar investidores estrangeiros da B3 em março, e a expectativa é de que a entrada de capital internacional na Bolsa brasileira continue. Apesar de algumas saídas desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, o saldo no mês caminha para ficar positivo — com acumulado de R$ 7,05 bilhões até o último dia 24 —, contra R$ 3,1 bilhões em março de 2025.
Além disso, o primeiro trimestre de 2026, que acumula R$ 48,7 bilhões em capital estrangeiro até agora, deve terminar com a melhor marca para esse indicador na Bolsa desde 2022, quando o mesmo período do ano teve a entrada de R$ 65,3 bilhões em ativos internacionais no Brasil.
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O resultado de 2022 decorreu do preço elevado das commodities, em meio à guerra entre Ucrânia e Rússia, e dos juros mais altos, o que abriu espaço para arbitragem, devido às taxas básicas muito menores em países desenvolvidos.
Em 2026, a perspectiva de novas entradas de capital está associada, principalmente, ao fato de algumas ações apresentarem preços convidativos em relação a papéis de mercados como os Estados Unidos e à média daqueles em países emergentes. Outros fatores se somam a esse quadro, como o afrouxamento monetário, iniciado em março, e a disputa eleitoral deste ano.
Avaliações
Chefe de pesquisas na Eleven Financial, Fernando Siqueira, comenta que o fluxo estrangeiro para o Brasil tem origem na saída de dinheiro do mercado norte-americano. Essa tendência ainda é negativa para a bolsa dos Estados Unidos, segundo ele, devido ao encarecimento das ações, a alguns resultados de empresas piores do que o esperado na margem e à política imprevisível de Donald Trump.
Na contramão, a Bolsa brasileira é considerada uma das mais descontadas, segundo Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital. “A ideia de um valuation [avaliação de empresas e ativos] atrativo segue valendo, e o diferencial de juros é bom, em razão do juro real elevado”, afirma. Assim, ele acredita isso deve continuar a influenciar o fluxo de recursos externos para o Brasil. A exceção seria se houver piora da guerra, o que poderia elevar o risco inflacionário.
O estrategista-chefe de ações do Itaú BBA, Daniel Gewehr, também considera que a entrada de investimentos externos no Brasil deve continuar, a não ser que o Banco Central dos Estados Unidos, o FED (Federal Reserve), comece a elevar juros — se houver risco inflacionário alto —, mas esse não é o cenário base. Além disso, nos cálculos do BBA, a Bolsa brasileira tem negociado com um desconto de 5% em relação à média histórica.
Entretanto, se existir um acordo de cessar-fogo, como os Estados Unidos ventilaram nos últimos dias, a tendência é de que a busca por ativos como dólar e Treasuries diminua, segundo João Daronco, analista da Suno Research. “Uma parte do dinheiro pode ir para países emergentes como o Brasil, porque isso diminui o risco global”, analisa.
Taxas de juros
Ainda que uma Selic — a taxa básica de juros do país — menor reduza os diferenciais em relação à norte-americana, que está entre 3,50% e 3,75%, o indicador brasileiro seguirá elevado. Na mais recente reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central do Brasil, o valor passou de 15% para 14,75% ao ano. E, segundo o último boletim Focus, ele deve fechar 2026 em 12,50%.
Para Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, também há uma leve resistência do investidor estrangeiro em deixar de aportar no Brasil. “Os ativos brasileiros são atrativos nessa diversificação geográfica, pois estão baratos, o país tem um orçamento de corte de juros, e ainda pode haver um rali eleitoral”, completa.
Fernando Siqueira diz, ainda, que a queda da Selic e as eleições serão os principais movimentadores do mercado brasileiro. “Esses fatores podem atrair não só investidores estrangeiros, como também locais”, afirmou.
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