Bovespa fecha na mínima em 17 meses pressionada por baixa dos bancos
O Ibovespa fechou em queda de 1,82%, a 46.588 pontos, menor nível desde março de 2014
Economia|Do R7

O pessimismo prevaleceu na bolsa paulista nesta quarta-feira (19), com o Ibovespa recuando para a mínima em 17 meses, em meio ao persistente risco de fim do mecanismo de juros sobre capital próprio e com anúncio de estímulos ao setor automotivo reavivando temores de ingerência do governo em bancos públicos.
O Ibovespa fechou em queda de 1,82%, a 46.588 pontos, menor nível desde 19 de março de 2014. O giro financeiro totalizou R$ 6,2 bilhões.
No pior momento do dia, o principal índice da Bovespa chegou a cair 3,1%, a 45.977 pontos, mas atenuou as perdas no meio da tarde, após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do banco central norte-americano, que reduziu expectativas de alta dos juros nos Estados Unidos em setembro.
Em dólar, o Ibovespa atingiu a mínima de 13.198 pontos na sessão, cerca de apenas 5% acima da mínima registrada em novembro de 2008 (12.554 pontos), no auge da maior crise financeira mundial desde a Grande Depressão no início do século passado.
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O ex-diretor do Banco Central Mario Mesquita, que comanda a área de economia do banco Brasil Plural, disse em nota a clientes que a ata do Fed foi a única boa notícia ao mercado local.
— Apesar dos esforços do governo (brasileiro), os ativos estão sentindo os efeitos do crescente risco político e de política econômica.
O Credit Suisse disse que o Ibovespa segue negociado com múltiplo acima de sua média histórica, logo, não está exatamente barato.
— O Ibovepa derreteu em dólar mas os resultados das empresas também. [...] A queda dos 57 mil para 47 mil pontos ajuda, mas é preciso cair mais para comprar considerando apenas preço", conforme nota a clientes.
Destaques
O Banco do Brasil caiu 6,17%, com incertezas sobre a manutenção do benefício fiscal via JCP (Juros Sobre Capital Próprio) somando-se ao anúncio de programa da instituição para o setor automotivo, que reavivou temores sobre o uso de bancos públicos para estimular a economia. Na véspera, a Caixa Econômica Federal havia anunciado medidas de apoio à indústria automotiva e de autopeças.
Para o Credit Suisse, a natureza do programa incorpora interferência do governo e, portanto, pode aumentar a percepção de risco de governança corporativa. Na visão de um gestor ouvido pela Reuters, as medidas de incentivo sugerem também que o governo está se perdendo em todo o esforço fiscal que vinha defendendo.
Itaú Unibanco e Bradesco recuaram 2,05% e 2,72%, respectivamente, também repercutindo as incertezas sobre JCP, com o setor bancário entre os mais prejudicados por um eventual fim desse benefício fiscal. "Apesar do preço atrativo, é difícil ficar otimista (com o setor)", disse o BTG Pactual, destacando em nota a clientes que o fim do JCP não está fora da mesa e os bancos públicos estão agindo no contraciclo "de novo".
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse na terça-feira que vai apresentar projeto para remoção do benefício depois de ter retirado a proposta de relatório sobre a medida provisória que trata da CSLL de instituições financeiras. Santander Brasil caiu 1,91%.















