Economia Brasil continuará em 2019 mais pobre que há cinco anos

Brasil continuará em 2019 mais pobre que há cinco anos

Mesmo com crescimento do PIB de 1% em neste ano, economia brasileira ainda estará 3,8% menor do que em 2014

Consumo das famílias atenuou queda do PIB

Consumo das famílias atenuou queda do PIB

Nacho Doce/Reuters

A economia brasileira continuará em 2019 mais pobre que em 2014, ano anterior ao início da recessão. 

Um cálculo da professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) Virene Matesco, doutora em economia, estima que caso o PIB (Produto Interno Bruto) avance 1% (previsão do mercado até o momento), o tamanho da economia ainda será 3,8% menor do que em 2014.

"Se você imaginar que em 2014 nós produzíamos 100 tijolos, em 2019 teremos produzido 96,2", exemplifica ela.

O PIB encolheu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. No ano seguinte, a economia voltou a crescer, porém, apenas 1,1%, mesmo resultado registrado em 2018.  

O PIB negativo do primeiro trimestre de 2019, em relação ao trimestre anterior, foi mais um indicativo de que o país está, segundo economistas, "andando de lado".

O único setor a registrar alta foi o de serviços (0,2%), puxado principalmente pelo consumo das famílias, que cresceu 0,3%.

"A conjuntura macroeconômica contribui. Apesar da inflação mais alta — 4,1% no primeiro trimestre de 2019 contra 2,8% em 2018 — , tem o crescimento nominal de 12% do crédito neste trimestre. A taxa de juros, embora pouco, também reduziu. O mercado de trabalho avança a passos lentos, mas já observamos uma melhor da massa salarial real", observa Amanda Tavares, economista da coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Recuperação econômica é a mais lenta da história brasileira

Mas isso não é suficiente para reaquecer a economia. A indústria, setor que tem os empregos formais com os melhores salários, amargou queda de 0,7% no trimestre.

Indústria ainda enfrenta queda da produção

Indústria ainda enfrenta queda da produção

Paulo Whitaker/Reuters

O índice de confiança da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou em maio que o empresariado prevê uma piora da situação atual do país.

No lado das expectativas, o otimismo registrado de outubro a janeiro já voltou a patamares pré-eleições.

O principal desafio é que, diferente de outras crises, agora o governo não tem como colocar dinheiro para estimular a economia.

A deterioração das contas públicas torna ainda mais difícil a retomada do crescimento.

"O reaquecimento [da economia] depende do empresário, já que o governo não vai conseguir fazer os investimentos necessários neste primeiro momento", diz o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Leonardo Mello de Carvalho.

Do outro lado, os empresários aguardam a aprovação da reforma da Previdência, mais como uma sinalização do que como uma salvação, acrescenta a professora Virene Matesco.

"O governo é avaliado pelos investidores pela maneira como ele conduz a política fiscal. Se você é um governo que não consegue sanar seus próprios compromissos, eu não confio em você. Então a reforma da Previdência é esse sinal. Ela não é necessária para o crescimento de hoje, mas é o começo."

O técnico do Ipea ressalta que a demora para aprovar a mudança nas aposentadorias, além de travar outras discussões importantes para reestruturar a economia brasileira, alimenta a incerteza.

"A aprovação da reforma muda o humor, sem dúvida, mas em termos de recuperação da produção, isso ficaria para 2020."

Para ele, "é alarmante" a queda dos investimentos no país. No primeiro trimestre de 2014, a taxa de investimento era de 17,7% do PIB. No último levantamento, ficou em 15%.

A professora da FGV destaca que o Brasil acumula 30% de queda dos investimentos desde antes da recessão.

"Ou seja, estamos reduzindo a nossa capacidade de produção de longo prazo. O investimento de hoje é a capacidade de produção de amanhã. Se está caindo sucessivamente nos últimos cinco anos, a nossa capacidade de crescer de forma sustentável é cada vez menor."