Logo R7.com
RecordPlus

Brasil e México renovam cotas de automóveis para equilibrar disparidades

Economia|Do R7

  • Google News

Rio de Janeiro, 9 mar (EFE).- Os governos de Brasil e México decidiram renovar por quatro anos seu sistema de cotas para o comércio de automóveis diante da necessidade de equilibrar a atual conjuntura, que favorece o país norte-americano. O acordo que renova as cotas até 2019 e pelo qual o Brasil estava pressionando e ao qual o México se opunha inicialmente, foi assinado nesta segunda-feira no Rio de Janeiro pelo secretário mexicano de Economia, Ildefonso Guajardo Villareal, e pelos ministros brasileiros de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto. "O acordo representa um ponto de equilíbrio considerando a atual conjuntura totalmente díspar. O mercado brasileiro (de automóveis) sofre uma contração, com uma queda das vendas de 7,5% no ano passado", afirmou Monteiro Neto em entrevista coletiva. O ministro alegou que a manutenção das cotas permitirá que o México conserve sua atual participação em um mercado brasileiro automotivo em retração. "Preservar o sistema de cotas é o mais adequado quando persistem as assimetrias", explicou Monteiro Neto ao se referir tanto à disparidade na situação da indústria no México e Brasil como aos maiores custos de produção para os brasileiros. O secretário mexicano destacou que enquanto a produção de automóveis no México cresceu 9% no ano passado e as exportações se expandiram em 10%, o Brasil reduziu em 15% a produção e em 40% as exportações. Essa disparidade permitiu que o México ultrapassasse no ano passado o Brasil como o maior produtor de automóveis da América Latina e o sétimo maior do mundo. "Temos que considerar que, em cenários totalmente diferentes para os dois países, a manutenção das cotas oferece certeza e previsibilidade aos fabricantes mexicanos", afirmou Guajardo Villareal. O secretário mexicano acrescentou que, apesar da crise no mercado brasileiro, o acordo de cotas garante "a manutenção da atual participação no mercado e até um possível aumento na presença das marcas mexicanas" no Brasil. A renovação das cotas foi estipulada dez dias antes de seu vencimento - 18 de março, conforme o tratado assinado em 2012 -, o que teria permitido o livre-comércio entre os dois países, postura defendida pelo México. "Não excluímos o livre-comércio mais adiante. Essa é a perspectiva, mas agora temos que entender que há assimetrias nos mercados e na competitividade dos dois países. Não nos opomos ao livre-comércio, mas necessitamos antes de alguns ajustes", afirmou Monteiro Neto. O novo acordo reduz ligeiramente as cotas, que no último ano foram de US$ 1,64 bilhão para cada país. No primeiro ano (2015-2016), ela será de US$ 1,54 bilhão, e esse valor aumentará gradualmente, até US$ 1,75 bilhão no quarto ano (2018-2019). Acima dessas tarifas, haverá taxação de até 35%. Monteiro Neto destacou que o novo acordo introduz as regras de origem também para as autopeças e garante uma porcentagem mínima para que um automóvel possa ser declarado como fabricado no Brasil ou no México, que será de 35% inicialmente e depois de 40%. Essa limitação evita que o Brasil importe veículos com uma elevada porcentagem de peças chinesas, por exemplo. O novo acordo também estabelece que, da cota de cada país, 70% será definida pelos exportadores, e os outros 30% pelos importadores. Os dois países também combinaram iniciar conversas ainda neste ano para estabelecer um acordo a respeito de ônibus e caminhões, nos quais o Brasil é mais competitivo. Os representantes de ambos os países destacaram a importância de conseguir um acordo no setor de automóveis pois este representa 46% do comércio bilateral, que no ano passado foi de US$ 9 bilhões, com superávit para o México de US$ 1,693 bilhão. EFE cm/id (foto)(vídeo)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.