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Brasil tenta novo acordo com Argentina

Economia|Do R7

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Uma missão de autoridades brasileiras estará em Buenos Aires na sexta-feira, 14, para costurar os detalhes de uma "operação salvamento" do comércio Brasil-Argentina. O governo brasileiro oferecerá como alternativa a ampliação das transações com pagamento em moeda local, o que permitiria fechar operações sem o uso de dólares.

O sistema, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, teria estrutura de garantia em dólares dos bancos centrais, o que daria a exportadores e importadores de ambos os lados a opção de pagar e receber em pesos ou reais por meio de uma instituição bancária.

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Um reforço no sistema de pagamento em moeda local complementaria outra proposta em negociação para auxiliar grandes exportadores, responsáveis por 50% do comércio bilateral, como indústrias de automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos. Os dois governos têm discutido, após sugestão do Ministério do Desenvolvimento, antecipada pelo Estado em fevereiro, a criação de uma linha de crédito à exportação de até US$ 2 bilhões. As operações teriam prazo de três meses, renovação automática, mas sem garantia do Tesouro brasileiro.

As bases do acordo estão prontas, informam fontes do governo. Os argentinos foram "receptivos" à proposta e têm ajudado a aperfeiçoar as alternativas. O setor privado nacional tem participado de discussões reservadas. "Temos boas perspectivas de acordo", diz uma autoridade.

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Foco

Além de reduzir custos financeiros com a conversão de moedas e a dispensa do contrato de câmbio, a medida facilitaria o acesso de pequenos e médios exportadores e importadores, como fabricantes de calçados, foco de problemas mais agudos. Até aqui, essas empresas estavam fora do amparo desenhado pelos governos.

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O tema foi discutido em várias ocasiões, inclusive numa reunião entre o ministro Guido Mantega e seu colega argentino Axel Kicillof, na véspera do carnaval. Itamaraty e BC também respaldam os debates técnicos e políticos. Uma missão argentina já esteve em Brasília para tratar do assunto.

Em declínio desde o início da crise cambial argentina, o intercâmbio comercial tem piorado mês a mês, sobretudo nos manufaturados. No primeiro bimestre, as vendas brasileiras ao vizinho recuaram 12%, para US$ 2,37 bilhões. A fatia argentina nas vendas nacionais caiu de 8,5% para 7,4%. As importações da Argentina encolheram 23%.

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O total de importações e exportações entre os parceiros está em declínio: em janeiro, teve o pior resultado desde o início de 2013. Em fevereiro, a média diária de vendas do Brasil caiu 9,7% ante igual mês de 2013, para US$ 1,16 bilhão.

O mau desempenho da balança comercial até aqui mobiliza o governo brasileiro. A Argentina tem papel essencial na estratégia, já que absorve boa parte dos manufaturados. "Uma solução duradoura ajuda o fluxo deles também. E desafoga aqui", avalia a autoridade. Em 2013, a Argentina comprou US$ 19,6 bilhões. E vendeu US$ 16,4 bilhões ao Brasil.

No desenho original da proposta da linha de crédito, as operações teriam a classificação de risco das empresas e não dos países. Isso ajudaria a driblar as restrições à Argentina no mercado internacional. Uma multinacional poderia, por exemplo, fazer essa operação com seu rating no banco de preferência, criando uma linha para a subsidiária do Brasil que serviria à empresa argentina do grupo. Estaria, assim, garantida a operação e o fluxo bilateral de comércio. Pela proposta, o dinheiro seria "carimbado" para comércio exterior e não poderia ser usado para outros fins. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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