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Braskem poderá reajustar estimativa de realocação de pessoas em Maceió, diz presidente

Economia|Do R7

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Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A estimativa da Braskem de realocação de 1.500 pessoas em Maceió para implantação de plano de resguardo de áreas atingidas por fenômeno de afundamento de solo na capital alagoana é preliminar e poderá ser revista nos próximos meses, conforme a empresa discute a situação com autoridades, afirmou o presidente da petroquímica, Fernando Musa, nesta segunda-feira.

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A companhia divulgou no final da quinta-feira que vai encerrar em definitivo atividades de mineração de sal sob o solo da capital alagoana e propôs medidas de criação de áreas de resguardo em torno de "determinados poços". Estas áreas envolvem cerca de 400 imóveis e 1.500 pessoas, que terão que encontrar outros locais para morar.

"A Braskem vai disponibilizar os recursos necessários para a execução do plano", disse Musa em teleconferência com jornalistas nesta segunda-feira.

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O executivo, porém, evitou comentar quanto a companhia terá de reservar no orçamento para fazer eventuais ressarcimentos de vítimas e reparações de custos incorridos pela cidade. No comunicado enviado ao mercado na quinta-feira sobre o encerramento definitivo de parte dos poços, a companhia afirmou que "em relação ao fenômeno geológico ocorrido em Maceió, a Braskem seguirá colaborando com as autoridades, com apoio de especialistas independentes, na identificação das causas e na implementação das ações necessárias".

No final de setembro, uma comissão da Câmara Municipal de Maceió apresentou pedido de indiciamento da diretoria da Braskem, acusando a petroquímica de ser responsável direta por problemas causados a milhares de famílias devido ao afundamento de solo e a rachaduras provocados em três bairros da capital alagoana.

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Segundo relatório do Serviço Geológico do Brasil apresentado em maio, as causas do fenômeno teriam sido consequência de atividades de mineração de sal-gema pela Braskem sob a superfície de Maceió. A petroquímica contesta o levantamento.

Procurada, a prefeitura de Maceió informou que mais de 40 mil pessoas estão sendo afetadas pelo problema de instabilidade de solo que afeta os bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Um total de 9.603 imóveis foram afetados, dos quais 4.438 com recomendação de realocação.

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"Atualmente, 2.108 famílias recebem ajuda humanitária do governo federal para permanecerem fora da área de risco prevista no Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias", afirmou a prefeitura, acrescentando que a instabilidade do solo continua nos bairros de Pinheiro, Mutange e Bebedouro, com aparecimento de novos casos de fissuras e rachaduras nos imóveis.

A prefeitura informou ainda que uma reunião com representantes da Braskem para apresentação do plano de ação está prevista para esta semana.

"Recebemos os últimos relatórios na semana passada e estamos trabalhando internamente no detalhamento do plano de ação. A estimativa de 400 imóveis e 1.500 pessoas é preliminar e foi calculada antes da discussão com a defesa civil, ANM (Agência Nacional de Mineração) e outras autoridades", disse o presidente da Braskem nesta segunda-feira. "Hoje não temos condições de fazer estimativas de provisão", afirmou o executivo.

As ações da Braskem exibiam queda de 1% às 17h17, enquanto o Ibovespa mostrava desvalorização de 0,2%.

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MERCADO PETROQUÍMICO

A Braskem reduziu sua estimativa para a demanda brasileira de resinas de crescimento de 4% a 4,5% em 2019 para 2% diante das seguidas decepções das projeções de expansão da economia do país neste ano. Para 2020, porém, Musa afirmou que o mercado interno deve apresentar performance superior, uma vez que as previsões de retomada são mais robustas.

Ele comentou que o ano de 2020 deve seguir "desafiado" para o mercado internacional de polietileno, em meio à guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos contra a China.

Sobre a negociação para renovação de contrato de fornecimento de nafta da Petrobras, que vence no final de 2020, Musa afirmou que o momento ideal para iniciar uma discussão com a estatal "é o segundo semestre" deste ano, mas evitou mencionar se a Braskem já começou as conversas com a petrolífera.

"É um processo complexo e longo que vai levar vários meses para a evolução", afirmou Musa, acrescentando que no terceiro trimestre a participação de nafta da Petrobras no total consumido pela Braskem foi de 34% ante 50% em 2017. O restante correspondeu à máteria-prima importada.

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