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Caixa pode voltar a elevar juro do crédito imobiliário em 2016, diz diretor

Economia|Do R7

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Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal pode voltar a elevar o juro do financiamento imobiliário neste ano, se necessário, disse nesta terça-feira o diretor de habitação do banco, Teotônio Rezende. Segundo o executivo, embora não haja previsão de aumento neste momento, a elevação pode acontecer diante da maior pressão sobre as margens do banco provocada pelo uso de recursos mais caros para conceder empréstimos.

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"Se necessário, teremos que fazer", disse Rezende a jornalistas durante evento do setor imobiliário.

A declaração reflete em parte os sucessivos resgates no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), principal fonte de financiamento para compra de imóveis no país, dado a perda de atratividade do investimento, que paga 6 por cento ao ano mais TR, enquanto a Selic está em 14,25 por cento anuais.

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Após resgates líquidos recordes de 53,6 bilhões de reais em 2015, a caderneta de poupança já teve saída de 24 bilhões de reais só no primeiro trimestre deste ano.

Com isso, a Caixa, maior concessora de crédito para habitação do país, tem sido obrigada a lastrear parte dos empréstimos feitos para o setor em papéis de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que têm custo maior.

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Atualmente, cerca de um terço dos empréstimos do banco feitos por meio do SBPE são lastreados em LCI. A meta da Caixa é reduzir esse percentual para cerca de 15 por cento, disse ele.

Para evitar uma pressão maior sobre suas margens, a Caixa subiu o juro dos empréstimos para os tomadores quatro vezes desde o começo do ano passado, a última em março. Com isso, o juro médio das concessões no banco subiu de cerca de 8 para 10 por cento anuais. O teto regulatório é de 12 por cento.

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Em outra frente, a Caixa também está sendo mais rigorosa em novas concessões, seja exigindo valor de entrada maior ou mais garantias dos tomadores.

Com isso, o banco prevê desembolsar cerca de 87 bilhões de reais em novos empréstimos para o setor em 2016, ante 90 bilhões no ano passado. No pico, em 2013, o banco estatal chegou a emprestar cerca de 135 bilhões de reais.

"Aquele volume de concessões que tínhamos nos últimos anos não volta mais", disse Rezende durante apresentação no evento.

De acordo com Rezende, o estoque de crédito imobiliário do banco deve crescer ao redor de 12 por cento em 2016, em ritmo parecido com o do ano passado. Ele previu que uma aceleração do mercado vai demorar.

"Enquanto a Selic não voltar a um dígito, o ritmo do mercado não volta a acelerar", concluiu.

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