Com recuperação da economia, viagem para o exterior deve ficar mais barata
Turista com viagem marcada pode adiar compra de dólares. Valor da moeda deve baixar
Economia|Do R7

Os brasileiros que estão com viagem marcada para os EUA devem adiar ao máximo a compra do dólar, cuja cotação ante o real deve baixar nos próximos meses devido aos bons resultados da economia do País.
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) acima do esperado, a inflação abaixo do teto oficial e o bom desempenho de setores como agricultura e indústria surpreenderam analistas estrangeiros, o que deve fortalecer a imagem do Brasil no exterior e, com isso, atrair investidores de fora do País.
Com a chegada de novos investidores, há mais dólares em circulação por aqui e a sua cotação ante o real tende a cair. Na última quarta-feira (28), por exemplo, a moeda norte-americana caiu pelo segundo dia consecutivo e baixou para R$ 2,35.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por sinal, afirmou na última sexta-feira (30) que não há fuga de dólares do País, o qual continua atraindo investimentos financeiros.
— As mudanças do Fed [Banco Central norte-americano] causam mudanças no câmbio de diversos países. Nós temos aqui a possibilidade de influir fazendo com que a desvalorização seja menor, caso haja necessidade. Temos muita bala na agulha para moderar a mudança de câmbio.
Compra em cima da hora
Apesar dos números positivos da economia brasileira, o professor do laboratório de finanças da FIA (Fundação Instituto de Administração) Keyler Carvalho Rocha afirma que, enquanto a baixa do dólar não chega, os brasileiros com viagem marcada e que não podem esperar devem comprar a moeda norte-americana o quanto antes ou em várias vezes para evitar grandes perdas.
Segundo o professor, todas as medidas adotadas pelo BC (Banco Central), como leilões de dólares no mercado futuro, servem apenas para evitar que o valor da moeda americana dispare muito acima do que já testemunhamos.
— Dificilmente o câmbio voltará a patamares muito abaixo dos R$ 2,40.
Rocha diz que o cartão de crédito tem alto risco, pois além de ter a cobrança do IOF em 6,38%, ainda pode ter um câmbio maior do que o atual quando a fatura fechar.
— O Fed [banco central americano] deve anunciar em breve mudanças na política econômica com o fortalecimento dos EUA que vão valorizar ainda mais o dólar.
A saída, segundo o professor, é comprar dólar em cartões pré-pagos, que possuem IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) menor (0,38%). Ou comprar várias vezes até a data da viagem, para diminuir o risco de grandes perdas.
— Quem tiver o dinheiro disponível e a viagem marcada deve comprar o dólar o quanto antes.
Gastos dos turistas
Mesmo com a alta do dólar, os gastos de brasileiros no exterior foram recorde para o mês de julho, desde 2011. As despesas totalizaram R$ 5,3 bilhões (US$ 2,21 bilhões), contra R$ 4,8 bilhões (US$ 2,01 bilhões) em julho de 2012 e R$ 5,35 bilhões (US$ 2,23 bilhões) no mesmo mês de 2011.
De janeiro a junho, essas despesas chegaram a R$ 34,9 bilhões (US$ 14,54 bilhões), contra R$ 30,5 bilhões (US$ 12,712 bilhões) no nos sete primeiros meses de 2012.
Passagens aéreas
Com a alta do dólar, as companhias aéreas também são afetadas, já que até 60% dos custos das empresas são atrelados à moeda americana. Em julho, as companhias brasileiras tiveram recorde no transporte de passageiros em voos nacionais, segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).
Quase 7 milhões de viagens nacionais foram realizadas em julho. A associação espera um fim de ano com “desafios”, de acordo com o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz.
Na análise anualizada, o mercado internacional cresceu um pouco menos do que o doméstico em julho: a demanda evoluiu somente 3,3%, apesar de a oferta ter se expandido em 8,8%.
Segundo o consultor técnico da Abear, Adalberto Febeliano, isso pode indicar “um impacto da alta do dólar, que se acentuou a partir do final de maio, pelo lado do consumidor”.
Viagens nacionais em alta
Segundo pesquisa elaborada pelo Ministério do Turismo em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas), o interesse dos brasileiros em viajar pelo País aumentou e continua maior do que o de viajar para fora do Brasil (veja tabela abaixo).
Entre os que pretendem viajar neste semestre, 72% querem um destino nacional, no ano passado, esse número chegava a 69,7%.
Já os que pretendem viajar para outros países somavam 21,4% em 2012 e, agora, chegam a 26,5%. Os que ainda não decidiram eram 8,9% em 2012 e, agora, são 1,5%.














