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Ásia e EUA podem compensar perda de US$ 1,8 bi com veto da UE à carne brasileira

Redirecionamento da carga para mercados alternativos pode evitar prejuízos maiores ao agronegócio, avaliam especialistas

Economia|Bruna Pauxis e Ezequiel Trancoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Suspensão das vendas de produtos de origem animal brasileiros para a União Europeia pode ser compensada pela exportação para Ásia, EUA, África e Oriente Médio.
  • Redirecionamento das exportações pode minimizar impactos no agronegócio brasileiro, mas pode elevar custos logísticos e operacionais.
  • Especialistas alertam para a fragilidade da estrutura produtiva do Brasil e a necessidade de adequação aos parâmetros globais.
  • Embargo da UE pode impactar o acordo Mercosul-UE e é influenciado por pressões políticas de produtores rurais europeus.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Brasil foi excluído da listagem de exportadores que cumprem as regras da UE Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Arquivo

Com a suspensão das vendas de produtos de origem animal brasileiros para a União Europeia confirmada para setembro, a exportação para a Ásia, Estados Unidos, África e Oriente Médio pode ser a alternativa para compensar a perda de US$ 1,8 bilhão com o embargo do bloco.

Economistas ouvidos pelo R7 avaliam que o redirecionamento da carga para esses mercados pode minimizar os impactos sobre o agronegócio brasileiro. Apesar disso, alertam que a mudança de rotas tende a elevar os custos logísticos e operacionais das empresas exportadoras.


Para o economista Hugo Garbe, a capacidade de encontrar rapidamente mercados alternativos influenciará não apenas o fluxo de exportações, mas também os preços da carne vendida no mercado interno.

“O histórico recente sugere que o Brasil possui relativa facilidade para redirecionar exportações para países asiáticos, africanos e do Oriente Médio. Por essa razão, a tendência mais provável não é uma queda abrupta dos preços da carne, mas sim uma acomodação moderada”, aponta o especialista.


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Na avaliação do economista João Marcelo Abbud, no entanto, os desafios impostos pela suspensão determinada pela UE podem expor certa fragilidade na estrutura produtiva do Brasil.

“A gente tem grande parte das exportações indo para poucos compradores, ou focadas em poucos produtos. Quando acontecem questões como esse veto da UE, percebemos uma baixa resiliência da nossa economia em termos de exportação”, aponta o especialista.


O economista explica que, para redirecionar as exportações em escala global, os produtores vão se deparar com aumento de custos logísticos e operacionais.

“Será necessário redirecionar rotas, para o mercado norte-americano ou asiático, por exemplo, e também será preciso lidar com a capacidade ociosa de frigoríficos, envolvendo a questão de energia que, por sua vez, também é delicada”, destaca.


Impactos no mercado interno

O redirecionamento da produção para o consumidor brasileiro pode aumentar a oferta, mas a facilidade histórica do Brasil em acessar mercados alternativos deve conter um impacto drástico nos preços praticados no país.

“Sendo assim, a tendência mais provável não é uma queda abrupta dos preços da carne, mas sim uma acomodação moderada, possivelmente perceptível em determinados cortes e por um período limitado”, pondera Hugo Garbe.

Com a suspensão determinada pela UE, um dos caminhos possíveis aos produtores brasileiros é a adequação aos parâmetros globais, mudança que pode ser positiva por harmonizar o padrão da mercadoria exportada. Para João Marcelo Abbud, contudo, essas mudanças podem encarecer o valor que chega ao consumidor final e causar certa “dor de cabeça” aos fornecedores que ainda não estão em tal nível de certificação e sofisticação.

“Sendo assim, se esse choque for consolidado de fato, poderá sim representar um aumento de custos em toda a cadeia de produção”, explica.

O fator geopolítico e o Acordo Mercosul-UE

Segundo a especialista em Direito Internacional Thainá Pierucetti, a proibição do bloco baseia-se no “princípio da precaução”, que permite restrições preventivas à saúde mesmo sem certeza científica absoluta. Contudo, ela ressalta que a medida sofre forte influência da pressão política de produtores rurais europeus, que tentam conter a alta competitividade do agronegócio brasileiro.

“O contexto pode influenciar o timing e a intensidade das medidas. Assim, embora a decisão tenha respaldo técnico do ponto de vista jurídico, geopoliticamente ela reflete um movimento de proteção de mercado. Isso abre espaço para questionamentos na OMC sobre um eventual caráter disfarçado de barreira comercial”, pontua Pierucetti.

Para a especialista, além dos impactos comerciais imediatos na economia, o embargo pode prejudicar o andamento do acordo Mercosul–UE, que já enfrentava forte resistência em diversos parlamentos europeus devido a preocupações ambientais e agrícolas.

“Medidas como essa reforçam narrativas protecionistas e podem ser instrumentalizadas por setores contrários ao tratado para justificar sua não aprovação definitiva”, afirma. “Embora juridicamente o embargo não impeça a continuidade da ratificação, politicamente ele pode desacelerar, ou até inviabilizar, o avanço do acordo no curto prazo”, conclui.

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