Quais produtos podem ser os mais afetados com as novas taxas dos EUA? Veja a lista
Segundo o governo, tarifas propostas pela gestão americana podem alcançar 21% de tudo o que o Brasil exporta para os EUA
Economia|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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As tarifas adicionais propostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5%, não devem atingir toda a pauta de exportações do país, mas podem afetar setores industriais relevantes, segundo avaliação do governo brasileiro.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a recomendação anunciada por Washington alcançaria aproximadamente 21% de tudo o que o Brasil exporta atualmente para o mercado americano.
Nos últimos dias, a equipe econômica do governo dos EUA propôs duas sobretaxas extras para produtos importados do Brasil: uma de 25%, sob a alegação de que as práticas comerciais do Brasil são desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal; e uma de 12,5%, por falha no combate ao trabalho forçado.
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Os americanos anunciaram algumas exceções, deixando de fora produtos essenciais para a economia dos Estados Unidos ou para cadeias produtivas em que o país possui poucas alternativas de fornecimento.
Nessa lista de isenções, contudo, não estão produtos como açúcar, etanol, soja, milho, veículos automotores, peças automotivas, couro, calçados, produtos de madeira processada, materiais de construção, instalações e equipamentos de engenharia civil.
Ovos e carnes de frango e de porco também ficaram de fora dos anexos. Embora os Estados Unidos tenham preservado produtos da cadeia bovina — incluindo carnes, carcaças e miúdos —, o mesmo tratamento não foi concedido às proteínas de aves e suínos.
A lista de exceções também não contempla produtos semiacabados de ferro e aço e lingotes (blocos ou barras de metal fundido). Em 2025, esses itens ficaram em segundo lugar no ranking de exportações do Brasil para os EUA, movimentando US$ 3.362.953.876, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Negociação do governo
O governo brasileiro trabalha com avaliações distintas sobre as duas novas sobretaxas e considera mais difícil reverter a cobrança adicional de 12,5% relacionada ao combate ao trabalho forçado.
Nos bastidores, interlocutores do Palácio do Planalto entendem que a medida atinge dezenas de países simultaneamente, o que reduz a margem para uma negociação específica com o Brasil.
Por outro lado, a tarifa extra de 25%, anunciada após uma investigação comercial aberta exclusivamente sobre o Brasil por supostas práticas desleais contra os EUA, é vista como a principal frente de negociação até a primeira quinzena de julho, quando as novas cobranças poderão começar a entrar em vigor.
O Palácio do Planalto lamentou ambas as propostas e manifestou indignação com as conclusões da gestão americana. O Executivo disse que pode adotar a Lei da Reciprocidade, caso seja necessário.
“O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.”
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