Copom começa a decidir juros sob pressão de tarifas dos EUA e queda da inflação
Apesar da incerteza da última ata, a expectativa do mercado é de novo corte de 0,25 ponto percentual
Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Em meio às novas imposições tarifárias dos Estados Unidos e aos conflitos globais, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central começa a discutir nesta terça-feira (4) o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está fixada atualmente em 14,25% ao ano.
Apesar da incerteza da última ata, a expectativa do mercado financeiro é de que o comitê realize um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14% ao ano. Caso se confirme, esta será a quarta redução consecutiva.
O economista Benito Salomão, ouvido pelo R7, acredita na redução da taxa de juros, apesar da presença de conflitos, como o do Irã, que podem sinalizar alta na inflação.
“O Banco Central não deixou claro o que ele pretendia fazer nas próximas reuniões, apontaram uma série de incertezas que foram retomadas com a guerra do Irã. A gente espera mais um corte, mas isso também não era relevante. O que é relevante é o ciclo todo de política monetária”, disse. Entre elas, as tensões no Oriente Médio e mudanças climáticas.
Além disso, foi a primeira vez desde março que o mercado reduziu a expectativa para a Selic em 2026, que deve fechar o ano em 13,75%.
O resultado da prévia da inflação contribuiu para as expectativas do mercado. No final de junho, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o índice caiu e ficou em 0,06% em julho, 0,35 ponto percentual abaixo da taxa registrada em junho (0,41%).
📌Pelo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação definida pelo CMN é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
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Selic vem sofrendo cortes
Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024. Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%.
Entre o final de 2024 e fevereiro de 2026, o índice sofreu sete elevações consecutivas, chegando a 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
Em março deste ano, o Copom decidiu reduzir em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14,75%. O corte foi repetido em 29 de abril e 17 de junho, o que fez com que a Selic chegasse ao atual patamar de 14,25% ao ano.
Após a decisão desta quarta-feira, a nova taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltarem a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.
O que é a Selic?
A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção, além de poderem desacelerar o crescimento econômico.
Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, o que desestimula a demanda e contribui para a contenção da inflação. Apesar disso, os bancos também definem essas taxas cobradas com base em fatores como inadimplência, custos e margem de lucro.
Quando a Selic está reduzida, a expectativa é de que o crédito fique mais barato, o que incentiva o consumo e aquece a economia; quando ocorre o contrário, a tendência é de encarecimento dos empréstimos e de redução dos gastos da população.
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