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Crises no governo coincidem com revisões no saldo de empregos

Dados defasados limitaram o pessimismo e contribuíram para a tomada de decisões econômicas relevantes, avaliam especialistas

Economia|Alexandre Garcia, do R7

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Revisões derrubam em 47% a criação de vagas em 2020
Revisões derrubam em 47% a criação de vagas em 2020

As revisões que resultaram em uma criação de empregos menor que a anunciada em 2020 coincidem com períodos de dificuldade atravessados pelo governo federal e pelo Ministério da Economia.

Conforme revelado pelo R7 na quarta-feira (3), as atualizações mostram que o Brasil abriu 75.983 postos de trabalho com carteira assinada no ano passado, 46,75% menos que os 142.690 anunciados com comemoração pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

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Como os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) são divulgados sempre no mês seguinte aos períodos de coleta, é possível analisar que a primeira grande diferença absoluta nos dados, de 164.651 vagas formais, ou de 13,68%, foi contabilizada no segundo trimestre do ano passado.

O período entre abril e junho é marcado pelo avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil e pela demissão dos ministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich (Saúde).

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Para Rodolpho Tobler, pesquisador do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), os indícios de subnotificações já eram evidentes e “esfriaram” o pessimismo do mercado formal de trabalho no Brasil.

“Nos momentos mais críticos, nos quais existia muita incerteza sobre o real impacto da pandemia no mercado de trabalho, esses dados fizeram com que a gente vislumbrasse [a retomada] com um olhar um pouco mais otimista do que deveria", afirma Tobler.

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Fausto Augusto Júnior, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), avalia que a crise sanitária, com o fechamento de muitas empresas, e a adaptação à nova metodologia do indicador afetaram diretamente a inclusão das informações no sistema de coleta.

Segundo ele, os atrasos foram usados para sinalizar um ambiente mais positivo que o real, já que a situação econômica não era boa. "O ministro da Economia, que estava analisando todos os indicadores, e não só o Caged, deveria ter percebido e atenuado um pouco o ufanismo. De fato, nada sugeria que aqueles dados eram consistentes", avalia Augusto ao recordar que decisões importantes foram tomadas com base em dados que ainda seriam atualizados.

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Em um segundo momento, os dados no acumulado entre julho e novembro, oficializados até o mês de dezembro, apontam para uma variação de apenas 0,98% (de 1.503.507 para 1.488.870) entre as divulgações e a revisão da geração de empregos com carteira assinada no Brasil.

A discrepância voltou a saltar em dezembro – os dados indicam uma subnotificação de 65%, com um número de demissões 44.133 inferior ao antes divulgado. A informação "oficial", comunicada em janeiro, coincide com o primeiro mês após o fim do auxílio emergencial. O programa assistencial só foi retomado em março.

Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria IDados, diz entender que as revisões são menores do que se esperava após a atualização da metodologia do Novo Caged. Segundo ele, em dezembro, as empresas podem ter enfrentado dificuldades para incluir os dados a tempo da divulgação.

"Dezembro costuma ser um mês com muitos desligamentos, por conta das festas de fim de ano, e pode ser que as empresas tenham sido obrigadas a se acostumar com o sistema e não tenham conseguido inserir os dados dentro do prazo", pondera Ottoni.

De acordo com Augusto, do Dieese, o ajuste mais significativo realizado no último mês do ano pode ter tido origem nas atualizações reprimidas pelas companhias. "Muitas empresas não declaram nada e, quando chega o fim do ano, apresentam todas as contratações e demissões. Isso não é novidade", garante.

Na sexta-feira (5), o ministro da Economia, Paulo Guedes, comentou pela primeira vez a redução no volume de empregos formais em 2020 e atribuiu as alterações a falhas das companhias. "Pode ter ocorrido um erro no Caged, mas não é culpa do governo. São informações que vieram das empresas", disse ele ao avaliar que as mudanças "não são significativas".

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