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Demanda da China vacila e soja do Brasil deve se beneficiar menos de guerra comercial

Economia|Do R7

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Por Naveen Thukral e Dominique Patton

CINGAPURA/PEQUIM (Reuters) - Uma queda inesperada nas compras chinesas de soja do Brasil no curto prazo está limitando as exportações da oleaginosa do país sul-americano, que tem se beneficiado da tensão comercial entre Washington e Pequim.

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Importadores chineses correram para adquirir soja brasileira depois que Pequim propôs em 4 de abril uma tarifa de 25 por cento sobre as cargas norte-americanas, mas as compras de curto prazo "secaram" desde a semana passada, já que o maior importador mundial enfrenta demanda fraca em um momento de oferta local abundante, disseram fontes.

"Toda a compra de pânico que vimos no início de abril foi reduzida", disse um operador de uma trading internacional que administra instalações de processamento de oleaginosas na China.

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"A demanda por farelo de soja é muito lenta, já que os produtores de suínos estão com prejuízos. Muito poucos acordos foram assinados desde a semana passada para a soja brasileira relacionados a remessas próximas", acrescentou.

As fontes recusaram-se a ser identificadas, pois não estavam autorizadas a falar com a mídia.

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A China importa mais de 60 por cento da soja comercializada em todo o mundo, esmagando-a para fabricar óleo de cozinha e rações para animais. Já o Brasil é o maior exportador global da oleaginosa.

O prêmio para a soja brasileira, incluindo o frete e cotado na China, caiu para 94 dólares por tonelada ante o contrato para julho na Bolsa de Chicago, após atingir 160 dólares em abril.

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O prêmio varia tipicamente de 50 a 60 dólares por tonelada nesta época do ano.

No mês passado, Pequim ameaçou impor uma tarifa adicional de 25 por cento sobre as importações de soja e sobre uma série de outros produtos dos Estados Unidos em retaliação às ações comerciais tomadas pelo presidente Donald Trump.

As exportações brasileiras também foram atingidas, à medida que os compradores europeus e outros asiáticos se voltaram para o fornecimento mais barato dos EUA.

No entanto, a queda na demanda chinesa no curto prazo por grãos brasileiros é vista apenas como temporária, já que os preços das cargas do país sul-americano devem cair, uma vez que a safra recorde deste ano está praticamente toda colhida.

O Brasil está colhendo uma safra de mais de 119 milhões de toneladas, aumentando as expectativas de exportações mais fortes, com a consultoria Céleres estimando que as vendas ao exterior para um recorde de 72 milhões de toneladas.

Mas os compradores chineses não se afastaram dos embarques de junho a julho, com a demanda por outros meses também robusta. Importadores encomendaram 20 cargas na semana passada para embarque em agosto, disseram operadores.

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RECEIOS

A China reduzirá suas importações de soja pela primeira vez em 15 anos em 2018/19, previu o Ministério da Agricultura na quinta-feira, com a demanda por ração enfraquecida.

Os preços do suíno na China registraram um dos declínios mais acentuados de todos os tempos no primeiro trimestre e estão abaixo do custo médio de produção.

"A maioria das unidades de soja na China está sobrecarregada com farelo e óleo", disse um operador de Pequim.

"O principal motivo é o lado da demanda. O preço do suíno não é bom, de modo que os frigoríficos gostam de pegar coisas baratas, da mão para a boca."

As importações de soja pela China em abril caíram para 6,9 milhões de toneladas, uma queda de 13,7 por cento em relação ao ano anterior.

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