Desembolsos do BNDES recuam 24% e consultas ao banco caem quase pela metade
Resultado do 1º trimestre reflete fraqueza da economia e baixo apetite por investimentos
Economia|Do R7

Os desembolsos e as consultas por novos financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tiveram queda expressiva no primeiro trimestre, ressaltando a fraqueza da economia brasileira e o baixo apetite de empresários por investimentos.
O banco de fomento divulgou nesta quinta-feira (14) que os desembolsos de janeiro a março recuaram 24% na comparação com um ano antes, para R$ 33,3 bilhões.
Já as consultas ao BNDES nos três meses até março desabaram 47%, para R$ 25 bilhões. As consultas são um termômetro importante da disposição de empresários para realizar investimentos e um indicativo da atividade da economia brasileira. A consulta é o primeiro passo dado por uma companhia para obter empréstimo do BNDES.
Em março, fontes próximas ao banco anteciparam à Reuters que números preliminares apontavam para queda expressiva das consultas ao BNDES no primeiro trimestre. Os números apresentados nesta quinta, porém, vieram bem piores do que a queda da ordem de 30% nesse indicador estimada por uma das fontes naquela ocasião.
Em comunicado à imprensa nesta quinta, o BNDES disse que os resultados do primeiro trimestre "refletem, em parte, os ajustes da nova política operacional" da instituição.
— O banco vem reduzindo os níveis de participação máxima em TJLP [Taxa de Juros de Longo Prazo) nos seus financiamentos, abrindo mais espaço para a presença do mercado de capitais no financiamento de longo prazo. [...] Outro fator foi a revisão das condições do Programa BNDES de Sustentação do Investimento. [...] Embora permaneçam bastante competitivas, o aumento das taxas e a diminuição do nível máximo de participação do BNDES nos financiamentos afetou o desempenho do programa, conforme esperado.
As aprovações de financiamentos pelo BNDES entre janeiro e março também apresentaram queda significativa, de 46\%, para R$ 21 bilhões, na comparação anual.
Apesar dos números, o banco afirmou que "o resultado do primeiro trimestre de 2015 ficou dentro das expectativas do BNDES.
A instituição destacou que as micro, pequenas e médias empresas, que mantiveram melhores condições de financiamento na nova política operacional do banco, responderam por 31%, ou R$ 10,2 bilhões, do total dos desembolsos nos três primeiros meses de 2015.
Em termos setoriais, a área de infraestrutura recebeu empréstimos de R$ 11,7 bilhões do BNDES no ano até março, seguida pela indústria (R$ 10,4 bilhões), comércio e serviços (R$ 7,6 bilhões) e agropecuária (R$ 3,5 bilhões).















