Desvalorização do real e preços das commodities impediram controle da inflação, diz Mantega
Ministro da Fazenda participou de programa na noite de terça-feira na TV Brasil
Economia|Da Agência Brasil

Os choques de preços nas commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional) e a desvalorização do real impediram a queda da inflação para o centro da meta, de 4,5%, nos últimos anos, disse na noite de terça-feira (6) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Em entrevista ao programa Espaço Público, da TV Brasil, ele admitiu contratempos em relação à trajetória dos índices de preços, mas reafirmou o compromisso com o controle da inflação e a autonomia do BC (Banco Central).
— Eu também gostaria de trabalhar com uma meta menor de inflação, mas vamos ser realistas. Nos últimos anos, temos tido pressões inflacionárias. Se, daqui para a frente, não houver mais desvalorização do real, teremos pressão inflacionária menor. Aí, poderemos tomar a tarefa de desindexação da economia.
Segundo Mantega, nos últimos três anos, o planeta enfrentou choques nos preços dascommodities provocados por secas nos Estados Unidos, na China e na Índia. Além disso, o real se desvalorizou 35% nos últimos dois anos.
Em resposta à pergunta da diarista Maria do Socorro Santos, que reclamou da alta nos preços dos alimentos nos últimos meses, o ministro se disse otimista em relação à inflação desses produtos. De acordo com Mantega, os preços dos alimentos cairão nos próximos meses até atingirem um “patamar mais tranquilo” em junho. Ele também citou o aumento da renda da população.
— Em alguns anos, a inflação aumenta mais e aumenta menos. Mas certamente o trabalhador ganha mais do que há oito, dez anos. Os salários das diaristas estão num nível maior por causa do programa de desenvolvimento que implementamos no País, que criou empregos e elevou o padrão de vida.
Perguntado pela repórter Leandra Peres, do jornal Valor Econômico, sobre possíveis interferências políticas no Banco Central, o ministro assegurou o compromisso do governo com a autonomia da autoridade monetária.
— Uma autonomia do Banco Central é importante para que ele possa fazer as maldades necessárias em momentos de inflação mais alta, sem interferência.
Segundo Mantega, o fato de o Banco Central ter aumentado a taxa Selic (juros básicos da economia) em 3,75 pontos percentuais em ano eleitoral mostra o empenho no controle da inflação.
Apesar dos aumentos de juros, o ministro garantiu que o desemprego continuará baixo e que o impacto da política monetária sobre a produção é temporário.
— Temos apoiado o Banco Central na condução da política econômica. Não podemos e não estamos brincando com a inflação. A alta dos juros prejudica momentaneamente o crescimento, mas, assim que a inflação cai, crescemos mais lá na frente.
Em resposta ao operário João Batista de Oliveira, que manifestou pessimismo em relação às perspectivas de emprego na construção civil, Mantega disse que o trabalhador será disputado nos próximos anos. Na avaliação do ministro, a construção civil continuará aquecida por causa do programa de concessões de projetos de infraestrutura, que movimentarão R$ 500 milhões nos próximos anos, e do Programa Minha Casa, Minha Vida, que terá uma terceira fase anunciada em breve pela presidente Dilma Rousseff.
Leia mais sobre Economia e ajuste suas contas
Seja bombardead@ de boas notícias. R7 Torpedos
Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia















