Economia Dólar à vista fecha em queda de 0,42%, vendido a R$ 5,29

Dólar à vista fecha em queda de 0,42%, vendido a R$ 5,29

Entraves à PEC da Transição e julgamento do orçamento secreto no STF influenciam também o recuo do Ibovespa, de 0,97%

Reuters
Dólar e Ibovespa fecharam a sexta-feira em queda, puxada por decisões políticas

Dólar e Ibovespa fecharam a sexta-feira em queda, puxada por decisões políticas

KEVIN DAVID/A7 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-26/10;2022

O dólar caiu frente ao real nesta sexta-feira (16), na contramão do exterior, em movimento que alguns investidores atribuíram a entraves na tramitação da PEC da Transição e da Lei das Estatais no Congresso. A moeda norte-americana à vista caiu 0,42%, a R$ 5,2925 na venda. Os adiamentos dos parlamentares também influenciaram o desempenho do Ibovespa, que fechou o dia em queda de 0,97%, a 102.735,84 pontos.

Na semana, marcada por volatilidade, o dólar subiu 0,89%, e o índice da bolsa brasileira acumulou baixa de 4,4%, segundo dados preliminares.

A previsão era que a PEC da Transição começasse a ser analisada no plenário da Câmara na quinta-feira (15), mas a votação foi adiada para a próxima terça (20). Há um clima de apreensão entre os deputados, motivado pelo julgamento da validade das emendas de relator no STF (Supremo Tribunal Federal).

O julgamento das emendas, que ficaram conhecidas como orçamento secreto, só deve ser retomado na próxima semana. Discussões sobre as nomeações do próximo governo também são motivo de receio.

"A resistência que a pauta enfrenta na Câmara aumenta as chances de desidratação do projeto, já que o futuro governo pretende aprová-la ainda este ano, e o Congresso entra em recesso na semana que vem", avaliou a Levante Investimentos, em nota.

A PEC da Transição, da forma como saiu do Senado, permite a expansão do teto de gastos em R$ 145 bilhões para o pagamento do Bolsa Família e o desbloqueio de dotações provisionadas, que seriam canceladas até o fim de 2022.

Além disso, a possibilidade de as alterações na Lei das Estatais serem votadas apenas no ano que vem também ofereceu algum alívio aos investidores, afirmaram participantes do mercado. Esses ajustes são necessários para viabilizar a indicação do petista Aloizio Mercadante à presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). 

Para analistas, algumas falas recentes do futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, colaboraram para a descompressão de riscos fiscais nos últimos dias. Ele disse que o Brasil não está em um momento em que uma expansão fiscal ajudaria a economia.

Celso Pereira, diretor de Investimentos da Nomad, diz ser possível que as discussões sobre contas públicas tenham preponderância na trajetória do câmbio ao longo de 2023.

"Em um cenário, para o ano que vem, de possível insustentabilidade das contas públicas, o Banco Central não vai ter condição de levar a Selic muito abaixo dos 13,75%, e o crescimento econômico potencial do Brasil será reduzido", avalia. Ele explica que o ritmo de expansão da atividade de um país é levado em consideração nas tomadas de decisão sobre investimentos, por agentes estrangeiros.

Já no exterior, o dólar teve pouca alteração contra uma cesta de pares fortes, com investidores tentando avaliar os efeitos dos ciclos de aperto monetário dos principais bancos centrais do mundo.

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou sua taxa de juros nesta semana em 0,50 ponto percentual, desacelerando o ritmo de aperto, depois de elevar os custos dos empréstimos em 0,75 ponto em cada uma de suas três reuniões anteriores.

No entanto, as mais recentes projeções econômicas trimestrais do Fed mostram que as autoridades veem os juros em 5,1% no final do próximo ano, nível considerado elevado, o que reforçou temores de recessão na maior economia do mundo. Em setembro, eles projetavam que 2023 terminaria com a taxa básica em 4,6%.

"Os EUA são uma das locomotivas do mundo, parceiro comercial relevante para o Brasil; uma recessão nesse país tende a jogar contra o real", alerta Pereira, que prevê volatilidade atípica câmbio até o fim do ano. O motivo seria o anúncio de mais integrantes da equipe ministerial do governo eleito, informações que o mercado precisa precificar.

Além disso, as semanas em meio às festas de fim de ano têm, tipicamente, volumes reduzidos, afirmou o diretor da Nomad.

Ações da bolsa

O recuo em Wall Street, onde o temor de recessão econômica foi dominante após a alta de juros desta semana, pressionou o Ibovespa para baixo, além da série de indefinições políticas no Brasil.

A Vale foi a maior influência negativa, em sessão também de queda para varejistas, enquanto Itaú Unibanco e Banco do Brasil limitaram as perdas.

Na mínima do dia, o índice cedeu a 102.248,42 pontos, e, na máxima, subiu a 104.017,56 pontos.

O volume financeiro da sessão somou 22,6 bilhões de reais, em pregão marcado por vencimento de opções sobre ações.

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